Você gosta de STAR WARS e GUARDIÕES DAS GALÁXIAS? Então você curte Space Operas

A SciFi que todo mundo lembra

No momento em que escrevo este post Guardiões das Galáxias 2 está nos Cinemas de todo o mundo com a promessa de não apenas oferecer mais diversão do que no primeiro filme, mas também, indiretamente, de continuar perpetuando as Space Operas como a mais popular expressão da Ficção Científica no Cinema.

Mas que diabos é uma Space Opera

A cotovia do espaço

As Space Operas estão intimamente relacionadas ao início da Ficção Científica na América nas primeiras décadas do século 20.

De fato, o próprio nome Science Fiction, ainda na forma primária da palavra scientifiction, surge pela primeira vez na edição de abril de 1926 da revista Amazing Stories em um comentário do editor Hugo Gernsback sobre o romance A cotovia do espaço (The Skylark of Space), de E. E. Smith.

Antes de A cotovia do espaço já haviam histórias de ficção científica centradas em aventuras espaciais, mas foi a partir da obra de E. E. Smith que temos reunidos três elementos característicos das Space Operas:  

  1. Um herói inventor e aventureiro;
  2. Gadgets tecnológicos utilizados pelo herói e o vilão;
  3. Ambientação no espaço;
  4. Escala

É justamente a escala cósmica a principal contribuição de A cotovia do espaço para a criação das space operas e suas narrativas passadas em universos complexos formados por sistemas planetários habitados por raças variadas nos quais o protagonista adentra para resolver conflitos diversos.  

Pense em Star Wars, Guardiões da Galáxia, O quinto elemento ou Valerian e você terá uma exata noção de uma Space Opera.

As histórias de sabão

De Flash Gordon a Star Wars, de Buck Rogers a Guardiões das Galáxias as operas espaciais tem seu nome ligado a quando o Rádio era o principal veículo de comunicação dos Estados Unidos no começo do século vinte.

Nesta época os seriados radiofônicos diários, equivalentes as novelas televisivas de hoje, tinham nas companhias fabricantes de sabão (soap) da América os seus principais patrocinadores.

Logo, as histórias patrocinadas por marcas deste produto receberam o apelido de Soap Operas, algo traduzido como “Histórias do sabão”.

O termo se generalizou para designar qualquer história dramática de longa duração ou dimensão para os lares americanos. Assim surgiram as Horse Operas, para identificar as histórias de faroeste e, em 1941, o escritor e editor Wilson Tucker criou o termo Space Opera

O lado negro das Space Operas

Se alguém perguntar a uma pessoa comum sobre o que é Ficção Científica, dificilmente a resposta não será algo sobre “histórias com presenças de naves espaciais, extraterrestres e armas de raio”.

O QUINTO ELEMENTO (1997), exemplifica bem o lado divertido das Space Operas

Este fato atesta a força das operas espaciais na historia da FC revelando dois lados desta realidade:

Por um lado, esta vertente da Ficção Científica ajudou a popularizar esta expressão do Fantástico para o grande público pelas histórias repletas de ação, cenários coloridos e roteiros simples.

Esta situação se manteve de forma dominante na Literatura de FC até a década de 50 do século vinte, e continua a ser uma forte tendência no Cinema até hoje.

MERCENÁRIOS DAS GALAXIAS (1980), clássico das Sessões da Tarde.

Do outro lado, porém, as Space Operas foram as grandes responsáveis por criar a falsa noção de que a Ficção Científica em geral é voltada para um público juvenil ou para pessoas que buscam uma forma de escape da realidade.

A partir dos anos 60, com o chamado movimento New Wave,  a Literatura de Ficção Científica passou  a incorporar temas ligados as Ciências Humanas e Sociais, como a Linguística, a Psicologia, a História e a Antropologia, fomentando assim obras também no Cinema que vem proporcionando reflexões sobre a sociedade contemporânea.

A CHEGADA (2016) mostra que a FC pode ser inteligente sem deixar de ser atraente para o grande público

São nas superproduções do Cinema norte-americano que as Space Operas encontram seu refugio para continuarem a promover, junto ao público, a crença de que a FC pode ser resumida aos mesmos temas e imagens encontrados nas publicações das revistas pulp de até meados do século vinte. 

Assim, se você quer ler ou assistir a uma obra de Ficção Científica sem questionamentos filosóficos ou complexidade de roteiro, então embarque na nave espacial mais próxima rumo ao planeta das operas espaciais.

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Fontes utilizadas

CARNEIRO, André. Introdução ao estudo da “science fiction”. Brasópolis: /s.n./, 1997.

FIKER, Raul. Ficção científica – ficção, ciência ou uma épica da época?; Coleção universidade livre. Porto Alegre: L&PM, 1985.

ROBERTS, Adam. Science fiction: The New Critical Idiom. London: Routledge, 2000.

SCHOEREDER, Gilberto. Ficção científica. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1986.

 

2 ideias sobre “Você gosta de STAR WARS e GUARDIÕES DAS GALÁXIAS? Então você curte Space Operas”

    1. Obrigado Rodrigo. É isso mesmo. Quanto mais você se aprofunda neste universo do Fantástico, mais você vê como as fronteiras entre as vertentes são muito frágeis. Obrigado pelo comentário!

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