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O que há de errado com as novas princesas da Disney?

Este post parte de uma inquietação minha, já de algum tempo, não apenas com as novas princesas da Disney, mas também com outras personagens femininas presentes nas animações e filmes ligados aos contos de fada contemporâneos.

No dia 31 de março participei de uma banca de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem da UFG – Regional Catalão em que a aluna Fernanda Lázara de Oliveira Santos defendeu, brilhantemente, as novas configurações das mulheres em animações do estúdio Disney.

Em um dado momento, enquanto a aluna falava dos filmes Malévola (2014), Frozen (2013) e Valente (2012), eu me peguei pensando :

“Porra, mas será que todo homem em contos de fadas hoje tem de ser um FDP ruim ou então um Zé Ruela pobre pra mulher se destacar?”  

Já pensou nisso?

De fato, por trás da aparente representação de princesas que se colocam em pé de igualdade diante de personagens masculinos, o discurso da Disney esconde um desequilíbrio entre os gêneros no qual, para valorizar o feminino, atualmente se atinge o masculino.  

E isso não ajuda as mulheres a mostrar que, ao contrário do que muitos erroneamente pensam, o Feminismo não prega a superioridade das mulheres em relação aos homens, mas, sim, a defesa da igualdade entre os gêneros

Mas pra ajudar você a entender melhor o que estou falando aqui, veja abaixo o que vou chamar aqui de três fases das princesas Disney:

Primeira fase: “Salve-me ó bravo príncipe!”

Princesas:

  • Branca de Neve (1939);
  • Cinderela (1950);
  • Aurora (1959).

Presente no livro Contos da Mãe Gansa (1697), do francês Charles Perrault, livro que inaugurou o gênero conto de fada, “A Bela Adormecida” virou animação da Disney em 1959.

O desenho foi o ponto alto dos estúdios Disney na primeira metade do século vinte. E Aurora, o símbolo maior, da primeira fase das princesas Disney iniciada em 1939 com a animação Branca de Neve e os Sete Anões.

Branca de Neve e os Sete Anões (1939), Cinderela (1950) e A Bela Adormecida (1959) compõem a Primeira Fase das Princesas Disney.

O ponto importante a ser destacado neste primeiro momento é uma maior fidelidade das animações em relação ao texto literário.

Assim como suas equivalentes literárias, as princesas dos contos de fada da Disney refletiam o espaço limitado da mulher na sociedade ocidental.

Ou seja, de fins do século 17 até o fim dos anos 50 do século 20 não houve alteração significativa na visão sobre a mulher na cultura que provocasse um outro tipo de personagem feminino diferente daquele encontrado nos contos de fadas da Disney para o Cinema. 

Como disse mais acima a princesa Aurora da animação A Bela Adormecida simboliza esse espaço de apagamento da mulher.

Afinal de contas, ela aparece apenas em 18 minutos da animação em que ela é a personagem principal e tem apenas 18 falas (!!).

Faz participação especial em seu próprio filme!

Basta olhar a imagem do DVD comemorativo dos 50 anos da animação lançado em 2009. 

Quem está protagonizando a ação? 

Esse fato mostra bem o perfil das princesas clássicas da Disney até o fim dos anos 50.  

Estrutura das histórias

  • Par romântico: Príncipes valentes e corteses.
  • Vilões: Mulheres mais velhas, reforçando a disputa entre mulheres pela atenção masculina;
  • Comportamento da princesa: passiva (a ponto de dormir).
  • Representação masculina: pais e príncipes, são objeto de obediência e devoção. 

Segunda fase: “Eu posso, Eu quero, eu consigo!”

Princesas:

  • Ariel (1989);
  • Bela (1991);
  • Jasmine (1992);
  • Pocahontas (1995);
  • Mulan (1998);
  • Tiana (2009);
  • Rapunzel (2010).

Apenas em fins dos anos 80, trinta anos depois de A Bela Adormecida, a Disney voltou as histórias de princesas com A Pequena Sereia (1989).

Mas, as princesas não podiam mais ser as mesmas.

Surge a princesa rebelde

Afinal de contas, entre 1959 e 1989 o Movimento Feminista dos anos 60 e 70 tinha conquistado visibilidade para mostrar o lugar de opressão ocupado pelas mulheres em diversas esferas, incluindo ai a Literatura.

Neste contexto, diferentes escritoras se apropriaram de formas literárias marcadas por um discurso depreciativo contra as mulheres e as usaram como uma importante ferramenta para se desconstruir a visão sobre o feminino. 

E, dado o seu histórico contra as mulheres, a Fantasia foi uma das escolhidas.

Exemplos disso são a coletânea de contos O quarto do Barba-Azul (1979), de Angela Carter, em que os contos de fadas são reapresentados por uma perspectiva feminista.

Destaque também para a quadrilogia As Brumas de Avalon (1979), de Marion Zimmer Bradley, em que o universo do Rei Arthur e reimaginado pela ponto de vistas das mulheres.

E as princesas da Disney?

Lentamente, as novas princesas foram surgindo ao mesmo tempo em que um novo perfil de relacionamento entre homem e mulher foi se estabelecendo nas animações:

O equilíbrio entre os gêneros alcançado por meio da transformação do masculino.

Vamos aos casos.

Ariel

A primeira das novas princesas da Disney, Ariel é vagamente inspirada na personagem do conto “A Pequena Sereia” (1837), de Hans Christian Andersen, Pai da Literatura Infantil. 

Alias, as mudanças começam ai.

Na Segunda fase, as animações da Disney tem mais preocupação em explorar os elementos icônicos das personagens do que necessariamente adaptar as histórias originais.

Mas, além de não seguir em linhas gerais o texto original, o que A pequena sereia apresentou que a diferenciasse de fato das princesas clássicas da Primeira fase?

Se em um primeiro momento o roteiro da animação traz um príncipe clássico e uma vilã que se interpõe como obstáculo ao triunfo do amor do casal, um olhar mais apurado revela inovações importantes na representação da princesa, tais como: 

  • A princesa quer conhecer o mundo ao seu redor, e não se satisfaz mais apenas com o seu círculo conhecido;
  • Ela contesta e subverte a autoridade paterna;
  • Ela se mostra ativa no cumprimento de seus objetivos.

Sendo a retomada da Disney ao universo das princesas, o estúdio não se arriscou demais além dos pontos mostrados acima e apostou no padrão em que o príncipe está em uma posição superior a personagem feminina.  

Bela 

Aqui começa a mudança de fato.

Animados com o sucesso de A pequena sereia os estúdios Disney foram buscar outra história em que a personagem feminina pudesse ser representada com comportamento ativo.

Eles encontraram o que queriam no conto “A Bela e a Fera”, de Madame de Beaumont (Jeanne-Marie Leprince de Beaumont), publicada na Le magasin des enfants (1756).  beaumont

Originalmente o conto tinha o propósito de ensinar as mulheres a suportarem o ambiente de violência doméstica a que eram submetidas na França do século 18, enfatizando que apenas o amor contínuo poderia transformar o comportamento do homem.

Já na animação de 1991 o conto ganhou um sub-texto que discute e subverte a construção dos gêneros masculino e feminino pela sociedade.

E é por meio dos personagens da Fera e de Gaston que começa o empoderamento do feminino pela crítica ao masculino.

Gaston e a Fera são, em essência, o mesmo personagem. A aparência física conduz seus comportamentos e ambos tem uma postura machista em relação a Bela. 

Enquanto Gaston não muda, a transformação da Fera em Príncipe, ou seja, sua evolução, só ocorre quando ele abre mão de seu comportamento bestial (“machão”).

A marca desta transformação é a forma andrógina do príncipe, sinalizando que ele se tornou mais feminino, ao enxergar em Bela uma igual.  

A Bela e a Fera é a primeira animação da Disney que investe no equilíbrio entre os gêneros, e não no detrimento de um gênero sobre o outro, como força de valorização da mulher. 

Talvez também por isso tenha sido uma das mais bem sucedidas adaptações de contos de fada já na sua primeira versão nos anos 90. O que se repetiu em sua versão live action em 2017.

Variações de “A Bela e a Fera”

Tiana

A primeira princesa negra da Disney, Tiana, repete em A princesa e o sapo (2009) o mesmo percurso de Bela.

Semelhante a protagonista de A Bela e a Fera, Tiana é pobre, nutre o desejo de encontrar o seu lugar no mundo (no caso aqui, abrir um restaurante) e se vê envolvida por uma criatura que tem sua natureza nobre escondida por trás de um feitiço. 

A inovação aqui é mostrar que não apenas o príncipe arrogante e imaturo, mas também a própria Tiana precisam crescer como indivíduos para, juntos em equilíbrio, alcançarem a transformação de volta a forma humana. 

Jasmine e Rapunzel 

As princesas de Aladdin (1992) e Enrolados (2010), seguem o padrão de A Bela e a Fera com a mudança da inversão de classes sociais entre heroína e herói. 

Tanto Jasmine (sendo filha do sultão) quanto Rapunzel (com seu super cabelo lanterna anti-envelhecimento) possuem poderes que evidenciam sua natureza real e as colocam logo no início da história em posição superior aos seus pares românticos, pobres.

Aladdin

O Aladdin da Disney, em particular, é um “Cinderela” as avessas ao mostrar uma figura órfã em situação de pobreza que deseja se encontrar com a realeza e, por meio de uma intervenção mágica, consegue os meios para tal propósito.

Essa situação permite ao personagem mostrar, por meio do relacionamento com a princesa, que é nobre de coração.

Flynn Rider

Já em Enrolados, ao invés de um príncipe como no conto “Rapunzel”, dos irmãos Grimm  o personagem Flynn Rider é um ladrão egoísta que, a medida em que se relaciona com Rapunzel após resgata-la da torre, desenvolve seu lado heroico e altruísta.  

Em ambos os casos, a abordagem utilizada é mostrar mulheres que já desfrutam de um certo empoderamento e que conseguem se tornar ainda mais empoderadas ao promover a evolução (transformação) de seus pares românticos masculinos, culminando em uma situação de equilíbrio entre os gêneros. 

Princesas lendárias  

As princesas de Pocahontas e Mulan são um caso separado por serem baseadas em personagens reais.

Matoaka, o nome real da princesa indígena, gostava de ser chamada de “Pocahontas”, que na língua nativa significava “impertinente”.

Pocahontas foi a filha do chefe indigena Wahunsenacawh, líder da nação Powhatan na América do século 17 e peça importante nos primeiros momentos da colonização da América por colonos ingleses.

Hua Mulan é uma das personagens mais famosas da China Antiga.

Hua Mulan, por sua vez, teria vivido no século 4 da era cristã e as informações sobre ela vem de uma canção folclórica da Dinastia Wei do Norte (386-557 d.C).  

Os roteiros de ambos os filmes abordam os pontos populares nas vidas das duas figuras que são, no caso de Pocahontas, seu (ficticio) relacionamento amoroso com o explorador inglês John Smith e, no caso de Hua Mulan, sua participação disfarçada como homem no exército chinês contra os invasores do país. 

Pocahontas e Mulan entraram no clube das princesas pelo seus comportamentos nobres diante dos obstáculos de suas vidas.

Nestes dois casos em particular o tamanho histórico das personagens acabou por limitar o aprofundamento do relacionamento delas com seus pares românticos.

Estrutura das histórias

  • Par romântico: Príncipes problemáticos e ladrões;
  • Vilões: Predominantemente homens ambiciosos;
  • Comportamento da princesa: Ativa. Luta para conquistar seus objetivos.
  • Representação masculina: pais e príncipes, são objeto de contestação e desconfiança. 

Terceira fase: “Unidas venceremos (os homens)”

Princesas:

  • Merida (2012);
  • Elsa e Anna (2013);
  • Malévola (2014);

Os anos da década de 2010 são o cenário para o surgimento da Terceira fase das Princesas da Disney.

Até o momento da escrita deste post, este é a fase atual dessas personagens cinematográficas.

Merida

Ela tem início no ano de 2012 na Pixar, estúdio ligado a Disney mas que sempre gozou de certa liberdade com suas criações.

A princesa Merida, de Valente (2012) é a primeira princesa que não é baseada em fontes literárias ou históricas.

Além desse fato, a principal contribuição desta produção foi a introdução de personagens femininas que se ajudam mutuamente na resolução de seus problemas e questões, sem precisar contar com o auxilio direto de homens.

Valente rompeu com a necessidade de um par romântico masculino para a princesa, além de colocar os personagens masculinos como coadjuvantes ou vilões.

No caso da história da princesa Merida, seu pai, o rei Fergus é o alívio cômico da animação, assim como também os pretendentes a mão da jovem herdeira do reino.

O roteiro é focado no relacionamento filha e mãe, expresso por Merida e a Rainha Elinor.

“BRAVE” (L-R) MERIDA and QUEEN ELINOR. ©2012 Disney/Pixar. All Rights Reserved.

Concebida para ser rebelde desde os cabelos, Merida abriu caminho com seu arco e flecha para as princesas Elsa e Anna.

Elsa e Anna

Vagamente inspirado no conto “A rainha da neve” (1844), de Hans Christian Andersen, Frozen (2013) começa a linha das princesas derivadas da releitura de vilãs dos contos de fada, transformado a Ranha da Neve má de Andersen em uma princesa incompreendida pelos seus poderes.

Na mesma linha, a desconstrução do perfil de princesa prossegue com a representação da princesa Anna como uma personagem cômica. quebrando a expectativa que se tem de uma figura vinculada a nobreza. 

Os homens, por sua vez, se tornam vilões, caso de Hans, que usurpa o trono das irmãs Elsa e Anna e coadjuvantes, caso de Kristoff, um homem da montanha que auxilia Anna a alcançar a irmã.

Assim como Valente, Frozen se apoia no relacionamento entre mulheres, subvertendo também o clássico “beijo do amor verdadeiro”, ao mostrar que o amor fraternal de Elsa e Anna é maior que tudo.

Malévola 

Na releitura proposta pelo filme de 2014, descobre-se que Malévola, clássica vilã da animação A Bela Adormecida, também poderia ser uma princesa da Disney, visto sua posição de realeza entre as criaturas sobrenaturais da floresta.

Nesta proposta, mais uma vez, os homens assumem o papel de antagonistas, desta vez personificado pelo pai de Aurora, o Rei Stefan.

Aprofundando o caminho aberto por Valente e Frozen, Malévola apresenta uma representação depreciativa do masculino ao longo de toda a trama, apostando na diferença como promotor do feminino.   

Entre as mulheres, depois do relacionamento entre mãe e filha e entre irmãs, aqui se tem a relação entre Fada-Madrinha e afilhada.  

E esperemos o próximo passo, ou a próxima fase.

Vale a pena a guerra dos sexos?

Voltando a questão original, até que ponto essa abordagem da representação feminina ajuda na construção do dialogo entre os gêneros?

A construção da nova representação das mulheres nos Contos de fada precisa, necessariamente, ser baseada no relacionamento entre membros de apenas um dos gêneros?

Onde estão as obras de contos de fada, literárias e cinematográficas, que apostem em personagens masculinos e femininos em pé de igualdade na busca de problemas e soluções.

Longe de trazer respostas, fica aqui a proposta de debate para que não apenas homens e mulheres, mas também o Fantástico saia ganhando na discussão dos problemas da sociedade de hoje. 

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Fontes utilizadas

BELLEI, Sergio Luiz Prado. Monstros, índios e canibais: ensaios de crítica literária e cultural. Florianópolis: Editora Insular, 2000. 

SANTOS, Fernanda Lázara de Oliveira. Do papel à tela, três histórias de princesas: reconfigurações do feminino entre Literatura e Cinema. 2017. 106 f. Dissertação (Mestrado em Estudos da Linguagem) – Universidade Federal de Goiás, Catalão, 2017.

TAPIOCA NETO, Renato Drummond. A balada de Hua Mulan – a lenda da guerreira mais famosa da China.  03 de Setembro, 2016. Acesso em 07 de abril de 2017. Disponível em https://rainhastragicas.com/2016/09/03/a-balada-de-hua-mulan/

TATAR, Maria. (ed.) The Classic Fairy Tales: a Norton critical edition. New York: W. W. Norton & Company Inc, 1999

TUDOR Brasil. A verdadeira e trágica história de Pocahontas. 20 de dezembro, 2015. Acesso em 07 de abril de 2017. Disponível em https://tudorbrasil.com/2015/12/20/a-verdadeira-e-tragica-historia-de-pocahontas/

WARNER, Marina. From the beast to the blonde: on fairy tales and their tellers. New York: The Noonday Press, 1999.

ZIPES, Jack. When dreams come true: classical fairy tales and their tradition. New York: Routledge, 1999.

Escrito por Alexander Meireles da Silva

Contato: fantasticursos@gmail.com

Este texto pertence ao blog Fantasticursos e foi publicado no endereço www.fantasticursos.com

 

 

10 super-heroínas que combatiam o crime antes da Mulher-Maravilha

A Mulher-Maravilha está em alta!

No post sobre a personagem aqui no blog mostrei os motivos e polêmicas que levaram a princesa amazona a ser a mais importante e representativa super-heroína da cultura de massa, mesmo após 75 anos de sua criação em 1941.

Mas, ao contrário do que muitos podem pensar, ela não foi a primeira representante feminina do gênero super-heróis das Histórias em Quadrinhos.

Mas quais mulheres defendiam os fracos e oprimidos antes de seu surgimento?

Para responder a esta questão, trago hoje as 10 heroínas e super-heroínas que combatiam o crime antes da Mulher-Maravilha.

E se você que ver logo a lista, sem querer saber antes dos critérios para criá-la, clique aqui.

Mas o que é um super-herói?

Qual é o ponto em comum entre Batman e Superman? Entre Gavião Arqueiro e Homem-Aranha? Super poderes? Identidade secreta? Uso de aparatos tecnológicos? Compromisso com a justiça? Como se define um super-herói?

Para o crítico Peter Coogan, os super-heróis têm como características principais uma Missão, Poderes ou superforça e Identidade secreta (MPI).

Já para a pesquisadora Jennifer Stuller, os super-heróis não são definidos somente pelos superpoderes ou pelas fantasias que usam no intuito de preservarem sua real identidade, mas principalmente pelo compromisso com a luta em defesa dos inocentes.

Em outras palavras, são super-heróis por irem além das suas condições humanas para fazerem o bem aos outros.

Tomando então como base o conceito de Jennifer Stuller, foram selecionadas aqui personagens femininas do gênero aventura e super-heróis, com ou sem poderes, que podem ser tomadas como exemplos de super-heroínas.  

Quem entrou? Quem ficou de fora? E por que?

Entraram na lista a seguir personagens femininas que surgiram antes da primeira aparição da Mulher-Maravilha nos quadrinhos, ocorrida em All Star Comics #8, de dezembro de 1941.

A personagem fez tanto sucesso que ganhou revista própria seis meses após sua criação. Em Wonder Woman #1, de julho de 1942.

No entanto, apesar de terem sido publicadas antes da Mulher-Maravilha, ficaram de fora as seguintes personagens:

1. Heroínas que foram criadas inicialmente como interesse amoroso do super-herói

Caso de Lois Lane, que a despeito de sempre ter sido retratada como uma mulher forte, determinada e destemida, desde sua primeira aparição em 1938, acaba sendo utilizada como suporte para as ações heroicas do Superman. 

No anos 50 a personagem ganhou revista própria, mas perdeu sua força feminina para passar a ser a namorada do Superman

2. Heroínas que foram criadas como versões femininas de super-heróis masculinos

Caso da Mulher-Gavião (Hawkgirl) (Janeiro, 1940), apresentada como a namorada do Homem-Gavião, sendo coadjuvante em suas histórias. 

Exemplo semelhante é o da Bulletgirl (Abril, 1941) namorada, ajudante e esposa (nesta sequencia) do super-herói Bulletman.

Em ambos os casos, assim como ocorreu com outras super-heroínas, as personagens não tinham voz própria, sendo muitas vezes resgatadas por seus equivalentes masculinos.

3. Heroínas cuja criação e motivação estão ligadas direta e exclusivamente a Segunda Guerra Mundial

Aqui se inserem as heroínas criadas na onda da propaganda norte-americana na Segunda Guerra Mundial, tendo seu espaço de atuação regulado pelo conflito.

Estas personagens não exerceram influencia além deste contexto histórico-cultural.

São exemplos deste tipo, Pat Parker, War Nurse, Pat Patriot, Lady Satan, Miss Victory e Black Venus.

O ponto em comum a todas estas combatentes do mal foi a gradual perda de popularidade junto aos leitores e o eventual cancelamento de suas publicações após o fim da guerra.   

Black Venus

4. Heroínas cujas publicações duraram menos de seis meses

Na avalanche de super-heróis e super-heroínas das décadas de 40, algumas personagens não conseguiram se estabelecer no mercado, vindo a desaparecer com menos de seis meses, não deixando influências a serem seguidas. 

Este é o caso de, dentre outras, Amazona, Madame Strange e Spider Queen. 

Para quem quer conhecer em maiores detalhes o nascimento e desenvolvimento das super-heroínas dos quadrinhos, recomendo o trabalho A representação feminina em Mulher Pantera e Mulher Maravilha (2016), da pesquisadora brasileira Jaqueline dos Santos Cunha, disponível gratuitamente para leitura, aqui.

Tive o prazer de orientar esta pesquisa que traz um dos mais completos e atuais panoramas da representação feminina nos quadrinhos norte-americanos da primeira metade do século vinte. 

Agora que os critérios foram explicados e sugestões de leitura foram indicadas, vamos a lista:

10 Super-heroínas das HQs que antecederam a Mulher-Maravilha

Conheça abaixo agora, por ordem de publicação, as 10 primeiras (e principais) combatentes do crime dos quadrinhos que prepararam o caminho para a chegada da Mulher-Maravilha em dezembro de 1941.

1. Sheena

Descrição: Sheena se insere em um contexto de popularidade no início do século vinte das chamadas jungle stories (histórias passadas em selvas de regiões dominadas ou influenciadas por países da Europa e Estados Unidos), e que fomentaram a criação, na época, de personagens da ficção pulp e quadrinhos como Tarzan e Fantasma.

As jungle stories refletiram a influência dos romances de aventuras de fins do século dezenove de escritores como H. Rider Haggard e Rudyard Kipling, sempre ambientadas em lugares exóticos na África e na Ásia.

É justamente a partir do romance Ela (1887), de Haggard que Will Eisner e Jerry Iger criaram Sheena, a Rainha das Selvas. O próprio nome da personagem soava como o título do livro de Haggard (She, no original).

Sheena Rivington cresceu como órfã em meio a selva, onde ela aprendeu os segredos da floresta e da comunicação com os animais.

Com o tempo, Sheena se tornou rainha de uma tribo local e, semelhante a Jane em relação a Tarzan, também teve um relacionamento amoroso com o personagem Bob Reynolds.

Em uma inversão de papeis, raras de se ver na época, Sheena costumeiramente salvava Bob de perigos.  

Primeira aparição: Wags #1 (Janeiro, 1938) (Inglaterra) e Jumbo Comics #1 (Setembro, 1938) (EUA) 

Criadores: Will Eisner e Jerry Iger

Editora: Editors Press Service (Inglaterra) e Fiction House (EUA)

Destaque: A primeira heroína dos quadrinhos. 

2. Red Tornado

Descrição: Após ver sua filha ser sequestrada e não poder contar com a ajuda da polícia ou do herói Lanterna Verde, a corpulenta Abigail Mathilda “Ma” Hunkel decide colocar um balde na cabeça, vestir uma roupa que escondia sua identidade feminina e assumir o nome de Tornado Vermelho

Ao contrário da grande maioria das personagens aqui, Abigail Mathilda “Ma” Hunkel sobreviveu até os dias de hoje, se tornando governanta da base de operações da Sociedade da Justiça da América.

Ela, no entanto, ainda não foi vista após o reboot da editora DC Comics de 2011 chamado de Os Novos 52

Primeira aparição: All-American Comics #3 (Junho, 1939), na sua identidade civil e All-American Comics #20 (Novembro, 1940), como Tornado Vermelho.

Criadores: Sheldon Mayer

Editora: All-American Publications

Destaque: A primeira heroína drag king e a primeira paródia de super-herói. 

3. Fantomah

Descrição: Uma das criações mais originais dos quadrinhos, Fantomah também bebe das influências nos romances de aventuras de Haggard, em especial a deusa branca Ayesha do livro She e sua sequencia Ayesha (1905).

Protetora da selva e seus habitantes, Fantomah era uma atraente loira que ao ativar seus poderes se tornava um ser vingativo de pele azul e face de caveira.

Nesta forma ela tinha poderes quase ilimitados, através dos quais punia os invasores de sua terra.

Posteriormente ela foi reapresentada como a reencarnação de uma princesa egípcia, mas isso não salvou a personagem de cair no esquecimento já em 1942. 

Primeira aparição: Jungle Comics #2 (Fevereiro, 1940)

Criadores: Fletcher Hanks

Editora: Fiction House

Destaque: A primeira super-heroína no sentido pleno da palavra, pois tinha superpoderes.

4. The Woman in Red

Descrição: Detetive da policia Peggy Allen assume a identidade secreta da Mulher de Vermelho para combater o crime sem as limitações da lei. 

Atiradora habil e detetive brilhante, a Mulher de Vermelho não hesitava em matar os criminosos quando a situação assim exigia. Lembrando que nessa época até o Batman usava armas de fogo.

Ao lado de outros super-heróis das décadas de 30 e 40 que caíram em domínio público, a personagem foi resgatada do limbo em 2001 pelo escritor inglês Alan Moore para sua série Tom Strong

Nesta releitura, a Mulher de Vermelho possui um rubi que lhe confere superpoderes como voo e projeção de energia.

Primeira aparição: Thrilling Comics #2 (Março, 1940)

Criadores: Richard Hughes e George Mandel

Editora: Nedor Comics

Destaque: A primeira combatente do crime com uniforme e identidade secreta.

 5. Lady Luck

Descrição: Criada apenas três meses depois da Mulher de Vermelho pelo quadrinista e escritor Will Eisner para participar das publicações no jornal do famoso detetive Spirit, Lady Luck é na verdade a rica socialite Brenda Banks que decide combater o crime apenas com suas habilidades de Jiu-Jitsu. 

Perseguida pela policia e protegendo sua identidade civil sob um fino véu, Lady Luck por vezes contava com a ajuda de seu motorista Peecolo.

Nos dias de hoje a personagem teve uma participação inesperada na edição #6 da revista The Phantom Stranger (2013), mas não foi mais vista deste então.

Primeira aparição: The Spirit Section (02 de Junho, 1940).

Criadores: Will Eisner e Chuck Mazoujian

Editora: Register and Tribune Syndicate

Destaque: A primeira socialite rica a combater o crime, abrindo a tendência de personagens semelhantes nos anos seguintes como Miss Fury (1941), Spider Widow (1942) e Miss Masque (1946). 

6. Invisible Scarlet O’Neil

Descrição: 20 anos antes da Mulher-Invisível adquirir seu poder e formar o Quarteto Fantástico, uma jovem repórter encostou o dedo em um raio desenvolvido por seu pai cientista e ganhou o poder da invisibilidade: Scarlet O’Nell. 

Sendo capaz de ativar e desativar sua invisibilidade pressionando um nervo em seu pulso, Invisible Scarlet O’Nell usava seu poder não apenas para conseguir matérias jornalisticas, mas também para resolver pequenos crimes e ajudar as crianças.

Nos anos da década de 1950 a personagem ganhou um interesse amoroso – o xerife Stainless Steel – e as histórias passaram a ser mais sobre o relacionamento dela e menos sobre os seus atos heroicos.

Por fim, com a queda da popularidade, a tira de jornal em que suas histórias eram publicadas foi renomeada para Stainless Steel e a personagem se tornou secundária.  

Primeira aparição: The Chicago Times (03 de junho, 1940)

Criadores: Russell Stamm

Editora: The Chicago Times

Destaque: Ainda que não tenha identidade secreta e uniforme, Invisible Scarlet O’Neil é a primeira super-heroína urbana com super-poderes.

7. Black Widow

Descrição: Após ser vitima de assassinato, Claire Voyant retorna do inferno como uma agente do Diabo para matar criminosos e outros praticantes do mal, pois há almas, segundo o discurso da Viúva Negra, que o Diabo está ansioso por possuir.

Imune a ácido e balas, a Viúva Negra envolve suas vitimas em sua capa e o infeliz cai morto aos seus pés.

Primeira aparição: Mystic Comics #4 (Agosto, 1940)

Criadores: George Kapitan e Harry Sahle

Editora: Timely Comics

Destaque: A primeira super-heroína (ou anti-heroína) urbana a ter uniforme, identidade secreta e superpoderes. 

8. Miss Fury

Descrição: Convidada para uma festa e informada que outra mulher usaria um vestido semelhante ao seu, a socialite Marla Drake decide vestir a pele de pantera negra deixada pelo tio e que tinha pertencido originalmente a uma feiticeira africana. No caminho para a festa, todavia, ela impede um crime e assume a identidade de Miss Fury.

As histórias de Miss Fury, traduzidas no Brasil como Mulher-Pantera, nunca afirmaram categoricamente se a habilidade e força demonstrada pela heroína vinha da pele do animal ou da própria Marla, o que acrescentava um elemento extra de curiosidade a personagem.

Ao contrário da maioria das outras combatentes do crime de vida curta, a Mulher-Pantera foi publicada nas tiras dos jornais americanos até o ano de 1952, algo incomum para personagens do período. 

Primeira aparição: Inicialmente com o nome Black Fury (06 de Abril, 1941) e como Miss Fury a partir de 14 de dezembro de 1941

Criadores: Tarpe Mills

Editora: Jornais ligados ao Bell Syndicate

Destaque: A primeira super-heroína criada, roteirizada e desenhada por uma mulher.

9. Phantom Lady

Descrição: Maior representante da chamada “Good Girl art”, um estilo de desenho focado em representar mulheres voluptuosas e sensuais, Lady Fantasma possui uma arma de luz negra com a qual ela cega momentaneamente seus inimigos.    

Apresentada como Sandra Knight, filha de um senador norte-americano, Lady Fantasma teve seu uniforme alterado em meados dos anos 40 para ficar mais sensual. 

A personagem justificou a mudança dizendo que o novo uniforme distraia seus oponentes, mas pelo visto na imagem abaixo ele também funcionava com os heróis. 

Primeira aparição: Police Comics #1 (Agosto, 1941).

Criadores: Will Eisner e Jerry Iger

Editora: Quality Comics

Destaque: A personagem foi usada como exemplo de má influencia sobre os jovens na década de 50 devido ao seu uniforme revelador, mas é a única daqui da lista que se manteve regularmente ativa até os dias de hoje, fazendo parte do universo da DC Comics. 

10. Nelvana das Luzes do Norte

Descrição: Mulher-Maravilha não é a primeira única super-heroína ligada aos deuses. Nelvana das Luzes do Norte é uma poderosa deusa da mitologia Inuit defensora dos povos do norte do Canadá.

Ela pode voar na velocidade da luz usando as luzes do norte, ficar invisível, mudar de forma e derreter metais.  

Eventualmente ela se disfarçava na identidade secreta da agente Alana North.

Primeira aparição: Triumph Adventure Comics #1 (Agosto, 1941).

Criadores: Adrian Dingle

Editora: Hillborough Studios 

Destaque: A primeira super-heroína canadense e a primeira super-heroína pertencente a um grupo minoritário (os povos indígenas do Canadá). 

 

Gostou das super combatentes do crime pré-Mulher-Maravilha?

Na sua opinião, quais delas ainda poderiam estar sendo publicadas hoje?

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Fontes utilizadas

CUNHA, Jaqueline dos Santos. A representação feminina em Mulher Pantera e Mulher Maravilha. 2016. 151 f. Dissertação (Mestrado em Estudos da Linguagem) – Universidade Federal de Goiás, Catalão, 2016. Disponível em https://repositorio.bc.ufg.br/tede/handle/tede/5890 

DON MARKSTEIN’S Toonpedia. Disponível em http://www.toonopedia.com/. Acesso em 08 fev. 2017.

MADRID, Mike. Divas, Dames and Daredevils: Lost Heroines of Golden Age Comics. New York: Exterminating Angel Press, 2013.

______. The Supergirls: fashion, feminism, fantasy and the history of comic book heroines. New York: Exterminating Angel, 2010.

ROBBINS, Trina. The Great Women Super Heroes. Massachusetts: Kitchen Sink Press, 1996.

Escrito por Alexander Meireles da Silva

Contato: fantasticursos@gmail.com

 

O que a Princesa Leia revela sobre as mulheres na Ficção Científica

Quantas vezes você já viu essa cena?: O casal corre de mãos dadas fugindo do perigo que os ameaça. De repente, a bela jovem cai indefesa e aguarda a morte iminente, mas nada tema! O herói retorna rapidamente e resgata a “mocinha”. 

Flash Gordon, um dos primeiros heróis espaciais, resgata a eterna amada Dale Arden.

Gritar, ser capturada, gritar, correr, gritar e ser resgatada. Esse era o percurso das personagens femininas nas revistas e filmes na primeira metade do século vinte em geral e na Ficção Científica (FC) não era diferente .

O que seriam delas sem eles?

Mas quando é que as mocinhas passaram a ficar com equilíbrio maior e cair menos na FC?

E quando passaram a ficar menos dependentes de heróis machões?

A morte da atriz Carrie Fisher no dia 27 de dezembro, vitima ao 60 anos das consequências de um ataque cardíaco, chocou o universo do entretenimento e em particular o mundo do Fantástico pela importância que sua personagem, a Princesa Leia Organa, tem não apenas para os fãs da série Star Wars, mas também para a representação das mulheres na Ficção Científica.

Caso já queira saber as três razões para isso, sem antes conhecer como as mulheres na FC eram gostosas em perigo, clique aqui.

Pins-up em perigo

Pin-up sendo resgatada pela pistola de raios do herói.

“As mulheres na literatura escrita por homens são na maior parte das vezes vistas como ‘outro’, como objetos, de interesse somente na medida em que elas servem aos ou destoam dos objetivos do protagonista homem” (Josephine Donovan)

A observação da crítica Josephine Donovan sobre a representação literária feminina do início do século vinte até os anos da década de 1970 na Literatura ocidental podem ser exemplificadas na Ficção Científica das revistas pulp norte-americanas do período.

A bela dependente do herói. Imagem recorrente nas capas das revistas de FC entre os anos de 1920 a 1950.

Tanto demonizadas quanto subestimadas por escritores e roteiristas homens, as mulheres das histórias de FC ficavam na maior parte das vezes deslocadas no enredo das histórias impressas e nos flimes.

Afinal de contas, as histórias eram sobre aventura, exploração e penetração no desconhecido, combate, e ciência aplicada. Era esperado, portanto, que os papéis principais pertencessem aos homens.

O explorador (homem e branco caucasiano) chega a um planeta hostil habitado por (selvagens e atrasados) alienígenas.

As ilustrações dessas publicações permitiam imaginar tanto o enredo das histórias quanto o forte apelo erótico junto aos adolescentes: existia na maior parte do tempo uma frágil pin-up que, como tal, estava seminua sendo protegida por um herói espacial caucasiano contra um monstro de olhos esbugalhados ou um robô do mal.

Philip Francis Nowlan, criador de Buck Rogers

Edgar Rice Burroughs, criador de John Carter

Escritores e desenhistas tais como Philip Francis Nowlan, Alex RaymondEdgar Rice Burroughs eram especialistas em descrever e criar mulheres sensuais que lutavam contra ou a favor de heróis como Buck Rogers, Brick Bradford, Flash Gordon e John Carter.

Audaciosamente indo onde todo homem já esteve

Durante os anos das décadas de 1960 e 1970 mudanças políticas e sociais ocorreram na Europa e principalmente na América, marcando o aparecimento de um constante e crescente questionamento das instituições sociais e de políticas de governo.

Discussões sobre política, drogas, religião e sexo foram incorporados aos temas da FC aliados com novos experimentos de linguagem e estilo.

Raça e gênero marcam o enredo do premiado romance de FC de Ursula K. Le Guin

Com as mudanças propostas pelo Feminismo, pelos movimentos por direitos civis dos negros americanos, dos homossexuais e dos jovens, escritores tais como Marion Zimmer Bradley, Ursula K. Le Guin, Joanna Russ e Samuel R. Delany, entre outros, debutaram na FC valorizando experiências de raça e gênero e subvertendo as temáticas da FC como viagens no tempo, distopias e aventuras espaciais.

E como as mulheres se viraram no espaço sideral?

De Star Trek…

Foi na Televisão e no Cinema norte-americano dos anos 60 e 70 que se pode encontrar as mais representativas, ainda que tímidas ou ambíguas, tentativas de mostrar as mulheres  na ficção científica como algo mais que “a gostosa em apuros”.

Uhura

Frequências de saudação abertas!

Lançada como uma série televisiva em 1966, Star Trek (ou como também é conhecida no Brasil, Jornada nas Estrelas) trouxe a Tenente Uhura, Oficial-chefe de Comunicações da nave exploratória U.S.S. Enterprise como uma das suas personagens principais.

A personagem vivida pela atriz Nichelle Nichols não foi apenas uma das primeiras mulheres na história da FC a ter um papel de destaque como uma oficial feminina em uma ponte de comando dominada por homens, mas também a primeira negra a ter essa posição. 

I Have a Dream

Este fato levou levou o líder negro Martin Luther King a pedir que Nichelle permanecesse no programa quando ela decidiu abandonar o papel por se achar sub aproveitada na trama. Como King argumentou:

“Você não percebe o quão importante sua presença, seu personagem é? […] Você tem o primeiro papel [negro] não estereotipado na televisão, seja masculino ou feminino. Você quebrou barreiras”. 

Felizmente, Nichelle permaneceu.

Barbarella

Direção de Roger Vadim

Produção franco-italiana de 1968 baseado nos quadrinhos franceses de mesmo nome, o filme trouxe a patrulheira espacial Barbarella, enviada em missão para capturar o criminoso Duran Duran (de onde saiu o nome da conhecida banda dos anos 80).

Misto de ficção científica e comédia erótica, a produção tinha a estonteante Jane Fonda como a personagem do título em diferentes situações eróticas nas quais seu corpo nu era exibido. 

A bela espacial

Barbarella fez de Jane Fonda um dos principais símbolos sexuais dos anos 60 e se por um lado foi mais uma obra de FC que explorou o corpo feminino, por outro inovou o gênero ao trazer uma mulher como protagonista da ação e ciente do poder de sua sensualidade.

… a Star Wars

Princesa rebelde na vida real e na ficção

“Uma das últimas mulheres míticas nas telas dos anos 70”

Assim a escritora e jornalista Jennifer K. Stuller define a princesa Leia Organa no livro Ink-stained Amazons and Cinematic Warriors: Superwomen in Modern Mythology (sem tradução para o Brasil).

A obra analisa a representação feminina nos Quadrinhos, Cinema e Televisão norte-americano.

Stuller se refere ao fato de que o fim dos anos setenta testemunhou o crescimento de um movimento conservador nos Estados Unidos que ameaçou as duras conquistas do movimento feminista na mesma década.

De fato, o que a princesa Leia revela sobre as mulheres na Ficção Científica é a necessidade, por parte das mulheres, de uma contínua vigilância sobre sua própria representatividade na ficção. 

E isso se justifica por três razões presentes na trilogia de Star Wars dos anos 70 e 80:

1. Leia começa como um modelo feminista

 

Leia, Princesa da Disney

Contrariando as expectativas do grande público acostumados com as princesas dos contos de fadas e de sua adaptações animadas pelos estúdios Disney, a Princesa Leia Organa em Star Wars IV: Uma nova esperança (1977) tem personalidade para se colocar em pé de igualdade com os homens do enredo, sem depender de um príncipe encantado para protegê-la. 

A mulher encara Darth Vader. Precisa de mais?

Ela empunha a arma (símbolo fálico do poder masculino) e exerce sua força pelo poder da liderança e não pelo uso de trajes sedutores. 

Vestida para matar

Comprometida e racional, foge do estereótipo de que mulheres são guiadas por sentimentos ao não revelar a localização da base rebelde, mesmo sob ameaça de destruição do seu planeta natal, Alderaan.

Além de Princesa, Leia também era líder militar, se mostrando uma estrategista hábil e eficiente.

Leia organizando as ações rebeldes no planeta Hoth.

2. Leia se torna interesse romântico

Love Story

A evolução de Leia Organa se alinha com os próprios desafios do Feminismo no fim dos ano 70 e início dos 80, principalmente pela criação e disseminação por parte da mídia da época do mito da super mulher.

Assobia e chupa cana ao mesmo tempo

Como explica Jennifer K. Stuller, esta ideia tinha o propósito de fazer com que as mulheres acreditassem que o que elas realmente desejavam era cobrir de forma satisfatória todos os aspectos de sua vida: carreira profissional, maternidade, sexualidade, matrimônio e cuidados com a casa e que o Feminismo estava errado ao não aceitar esta possibilidade.

Ronald Reagan governou os Estado Unidos em dois mandatos na década de 1980

Como se refletisse este avanço do pensamento conservador nos anos 80, exemplificado na vida real pelo governo do Presidente Ronald ReaganStar Wars V, muito apropriadamente chamado de O Império Contra-Ataca (1981), mostra o gradual processo de transformação da arredia e espirituosa princesa Leia em par romântico do personagem Han Solo, vivido pelo ator Harrison Ford. 

Esta suavização da personagem fica mais evidente quando descobre-se que há uma conexão entre Leia e o protagonista Luke Skywalker.

Todavia, enquanto o roteiro foca no treinamento de Luke e aprendizado de sua potencialidade como Jedi, Leia tem seu espaço de atuação no filme vinculado ao desenrolar de sua relação com Han Solo, culminando na sua declaração de amor ao herói.

Dentro da ideia da “super mulher”, Leia pode ser rebelde e também par romântico. Por que não?

3.  Leia termina como Pin-up e amiga de bichinhos

Sonho dos adolescentes nos anos 80

Líder rebelde no primeiro filme e par romântico no segundo. 

Quando Star Wars VI: O retorno de Jedi (1983) se inicia vemos que Luke Skywalker já está familiarizado com os segredos dos Jedi enquanto que Leia está empenhada em salvar seu amado Han Solo das garras de Jabba, o Hut.

Capturada por Jabba, Leia se torna sua escrava sexual e assume sua vestimenta Pin-up para a satisfação de Jabba (e da platéia adolescente do período). 

Leia e seu biquíni de metal

Eventualmente  o público descobre que Leia e Luke são irmãos e que ela também tem a conexão com a Força, mas em nenhum momento do filme este fator é explorado ou desenvolvido.

De fato, a medida em que a trilogia Star Wars avança ao longo da década de 70 e 80, percebe-se que, se no primeiro filme Leia começa empoderada e Luke se mostra um jovem frágil, no terceiro temos uma inversão de papeis e Luke se torna um confiante homem enquanto Leia se torna a namoradinha de Han Solo e, assumindo um visual mais “feminino” fica cercada por criatura fofas como os Ewoks, algo que remete as princesas dos contos de fadas cercadas por pequenos animais.

Só falta cantar

O que a Princesa Leia mostra afinal de contas sobre as mulheres na Ficção Científica é que as tentativas de mudanças na representação de personagens femininas dentro da vertente da Ficção Científica sofrem uma pressão ideológica masculina contrária que trabalha para enquadrar a mulher dentro dos estereótipos do imaginário masculino.

Cabe a sociedade como um todo a vigilância quanto a este discurso limitador e a luta para uma sociedade mais igualitária, fazendo valer, desta forma, a luta da rebelde princesa Leia iniciada há 40 anos e hoje continuada nas empoderadas Rey e Jyn Erso.

 

Fontes utilizadas

CLUTE, John. Science Fiction: The Illustrated Encyclopedia. London: Dorling Kindersley, 1995.

DONOVAN, Josephine. Beyond the net: Feminist criticism as a moral criticism. In: ___. (ed.). Feminist Literary Criticism: explorations in Theory. Kentuchy: Lexington, 1975. p. 221-225

ROBERTS, Adam. Science Fiction. London: Routledge, 2000. (The New Critical Idiom).

STULLER, Jennifer K. Ink-stained Amazons and Cinematic Warriors: Superwomen in Modern Mythology. New York: I.B. Tauris, 2010.

Escrito por Alexander Meireles da Silva

Contato: fantasticursos@gmail.com

  

 

A perversão sexual da Mulher-Maravilha por trás dos quadrinhos

Você, prezada leitora, gosta de se submeter a pessoa amada a ponto de, se a ocasião surgir, ser amarrada por ela? Você concorda com a frase “tapinha não doí”?

Pois saiba que foi a crença na existência deste comportamento feminino que ajudou o psicologo norte-americano William Moulton Marston a criar, em 1941, aquela se tornaria um ícone do Feminismo e centro de polêmicas sobre uma pretensa perversão sexual feminina: Mulher-Maravilha

William Moulton Marston e sua maior criação
William Moulton Marston e sua maior criação

A princesa guerreira

Dezembro de 2016 marca os 75 anos do surgimento da Mulher-Maravilha no universo das Histórias em Quadrinhos, ocorrido por meio da editora All-American Publications na revista All Star Comics #8 de dezembro de 1941, ainda sem destaque na capa para a personagem e assinada por Charles Moulton (pseudônimo adotado por William Moulton Marston).

Primeira aparição da Mulher-Maravilha
Primeira aparição da Mulher-Maravilha

O sucesso da princesa amazona da utópica Ilha Paraíso que vem ao mundo dos homens para lutar pela paz e justiça foi tanto que já no ano seguinte ela ganhou publicação própria na revista Wonder Woman #1, de julho de 1942.   

Primeira publicação própria da guerreira da Ilha Paraíso.
Primeira publicação própria da guerreira da Ilha Paraíso.

Ainda que não tenha sido a primeira super combatente do crime das histórias em quadrinhos [ATUALIZADO: Veja o post sobre as super-heroínas anteriores a Mulher-Maravilha, clicando aqui], desde a sua criação a Mulher-Maravilha se tornou a principal representante feminina do gênero super-heróis, posição esta que mantém até hoje e a coloca ao lado dos outros dois pesos pesados da DC Comics – Superman e Batman.

A trindade da DC Comics
A trindade da DC Comics

Este status da personagem decorre, em muito, das idéias por trás de sua criação que a diferenciava, já em 1941, das outras super-heroínas da época.

Mulher-Maravilha: filha de um pai e duas mães controversas

Considerado um feminista mesmo quando a própria palavra ainda não havia se disseminado, William Moulton Marston foi contratado pelas editoras National Periodicals e All American Publication (que depois da fusão se tornariam a DC Comics) para ser o consultor educacional das editoras em virtude da crescente preocupação dos pais de crianças quanto ao conteúdo das revistas nos anos das décadas de 1930 e 1940.

Marston e os editores da All-American Publications e National Periodicals
Marston (na esquerda sentado) e os editores da All-American Publications e National Periodicals

Como resposta a esta situação e descontente com a ostensiva presença de super-heróis homens, como Superman, Batman e Lanterna Verde, Marston comentou com a esposa – Elizabeth Holloway Marston – sobre a criação de um super-herói que combatesse o crime não com o uso da violência, mas sim com o amor, ao que ela respondeu: “Ótimo, mas a faça mulher”.  

Elizabeth Holloway Marston. Essa sim a verdadeira Mulher-Maravilha
Elizabeth Holloway Marston. Essa sim a verdadeira Mulher-Maravilha

Definido o sexo da personagem, faltava moldá-la e para isso Marston usou duas referências: suas duas esposas

A origem e personalidade da Mulher-Maravilha tem inspiração tanto na admiração que Elizabeth Holloway nutria pela cultura grega, de onde saiu a ideia das lendárias Amazonas, quanto na postura da própria Elizabeth enquanto mulher a frente do seu tempo, detentora de três diplomas universitários em uma época na qual a maioria das mulheres era até mesmo proibida de estudar.

Já a aparência física da personagem foi baseada na outra esposa de Marston: sua ex-aluna e assistente Olive Byrne. Byrne também influenciou Marston na criação dos braceletes com os quais a super-heroína se defende de seus agressores.

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A ideia teria surgido pelo recorrente uso deste apetrecho por parte de Olive Byrne. 

William Moulton Marston vivia com Elizabeth e Olive no mesmo lar e teve duas crianças com cada uma. Elizabeth era responsável, junto com o marido e após sua morte em 1947, pelo sustento do lar enquanto Olive cuidava da casa e da educação das crianças.

William Moulton Marston (no centro). Olive Byrne (lado direito em pé) e Elizabeth Holloway Marston (sentada na direita)
William Moulton Marston (no centro). Olive Byrne (lado direito em pé) e Elizabeth Holloway Marston (sentada na direita)

Uma heroína pervertida sexualmente (uma mulher, afinal de contas)

Se Elizabeth e Olive contribuíram com a origem, personalidade e aparência física da Mulher-Maravilha o comportamento da super-heroína, em seus primeiros anos, refletiu as ideias de William Moulton Marston sobre o desenvolvimento do potencial feminino.

Ideias que deram margem a uma leitura da personagem (e das mulheres) como seres de um comportamento, para muitos ainda hoje, condizentes com perversão sexual.

Girl Power
Girl Power

Para ele, os problemas da humanidade só seriam resolvidos se os homens entregassem o poder as mulheres. Sua personagem, oriunda de uma sociedade governada por mulheres era, portanto, a resposta para contrabalançar o que ele via como um mundo androcêntrico.

Em entrevista sobre a Mulher-Maravilha para a revista American Scholar no ano de 1943, por exemplo, Marston defendia que:

Nem mesmo garotas vão querer ser garotas enquanto faltar força, potência, e poder ao nosso arquétipo feminino. Não querendo ser garotas, elas não querem ser meigas, submissas, pacíficas como boas mulheres são.

Isto quer dizer que, para o criador da Mulher-Maravilha, as mulheres só poderão desenvolver força, potência e poder e, consequentemente, resolverem os problemas do mundo por meio da igualdade e do amor se aprenderem a ser meigas, submissas e pacíficas 

Veja abaixo, conforme as histórias da Mulher-Maravilha ensinavam nos anos de 1940, que o processo para se tornar meiga, submissa e pacífica era a prática de técnicas semelhantes ao BDSM, ou seja,  Bondage e Disciplina, Dominação e Submissão, Sadismo e Masoquismo.

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Ainda que William Moulton Martston nunca tenha manifestado abertamente suas teorias nas histórias escritas por ele, o recorrente conteúdo erótico das histórias da Mulher-Maravilha (e que ajudaram a revista a se tornar um sucesso junto ao público jovem formado por meninos) não passaram despercebidos dentro da editora que as publicava.

Ao ser questionado pela sua colega Josette Frank, do Conselho Editorial Consultivo da DC, sobre a possibilidade de ataques de educadores e censores devido aos trajes da heroína e aos trechos de inspiração sado-masoquista das histórias, Marston explicou que:

As mulheres são excitantes justamente por essa razão – esse é o segredo da sedução feminina – a mulher gosta de se submeter, de ser amarrada. Trago isso à tona nas sequencias da Ilha Paraíso, em que as garotas imploram por correntes e gostam de usá-las. /…/ A única esperança de paz é ensinar àqueles que estão cheios de energia e de força a gostar de amarras. /…/ Em se tratando de relacionamentos humanos, só teremos uma sociedade mais pacífica e agradável quando o controle do eu, exercido de fora, for mais agradável que a afirmação irrestrita do eu sem amarras.

Chama a atenção neste ponto a contradição de que, ainda que tenha sido um ardente defensor da emancipação feminina, o pai da Mulher-Maravilha, enquanto psicologo, refletiu em suas crenças teorias científicas em voga no século dezenove que serviram para criminalizar o corpo da mulher.  

Ou Mãe ou Esposa ou Masoquista

Dentre várias obras na literatura médica do século dezenove duas merecem destaque por buscarem respaldar cientificamente o preconceito contra as mulheres. São elas:

The Functions and Disorders of the Reproductive Organs
(1857), de William Acton

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Psychopathia Sexualis (1886), de Richard von Krafft-Ebing.

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The Functions and Disorders of the Reproductive Organs de William Acton corroborou a ideologia predominante ao assegurar que as únicas paixões normais sentidas pelas mulheres eram pelo lar, filhos e deveres domésticos.

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Os papeis sociais das mulher no século 19 eram o matrimônio e a maternidade.

Para o médico inglês, a mulher submetia-se ao marido só para satisfazê-lo e, se não fosse pelo prazer da maternidade, preferia não ter atenção sexual. Ele foi um dos estudiosos que, ao lado de outros, incutiram na mulher a noção de que o corpo é inimigo da alma. 

A noção de que a maternidade implica em sacrifício e submissão a figura masculina se junta no fim do século dezenove a crença de que a mulher é capaz de suportar melhor sofrimentos e transtornos, transformando-os em prazer. Estava pronto o cenário para a associação da mulher com o Masoquismo, como explorado por Richard von Krafft-Ebing no Psychopathia Sexualis.

Richard Krafft-Ebing
Richard Krafft-Ebing

Krafft-Ebing parte da ideia de que a natureza delegou a mulher uma posição passiva, representado pela maternidade. Por esta razão, de acordo com esta leitura, o desejo sexual feminino é mais débil e levaria a uma necessidade da mulher ser mais amada e menos dependente do gozo.

Assim, o casamento e o amor seriam mais importantes para a mulher do que o sexo e aquelas que procuram apenas uma satisfação sexual representam um fenômeno anormal que contradiz as exigências sociais.

Krafft-Ebing cunha o termo Masoquismo a partir do nome do escritor austríaco Leopold von Sacher-Masoch, que relatava, em sua obra A Vênus das Peles (1870), obsessões e gostos de amor bastante peculiares, entre os quais ser caçado, amarrado, castigado, humilhado e machucado.

masochism

A partir deste quadro, o psiquiatra alemão define que a natureza feminina tenderia tanto para a perversão quanto para o sacrifício, o sofrimento e a subordinação. 

Nesta leitura, Krafft-Ebing sustenta que o Masoquismo é a perversão feminina por excelência. 

Bondage heróico
Bondage heróico

Como se vê, ainda que em uma primeira leitura as opiniões de William Moulton Marston sobre a mulher pareçam se colocar como um avanço para o espaço social da mulher na sociedade norte-americana nas primeiras décadas do século vinte, um olhar mais detalhado em sua proposta de feminino deixa exposto a mesma ideologia que norteou os estudos sobre a sexualidade da mulher ao longo da segunda metade do século dezenove. 

De namoradinha  a ícone gay

Após a morte de Marston em 1947, as histórias da princesa amazona mudaram de tom e a proposta pedagógica por trás de sua criação foi diluída pelos roteiristas que se seguiram.  

Carregada pelo amado Steve Trevor
Carregada pelo amado Steve Trevor em Sensation Comics #94 (1949).

A partir dos anos de 1970, todavia, com a intensificação do Movimento Feminista, a personagem foi alçada a condição de símbolo da mulher moderna, dona de sua vontade e de seu corpo. 

Capa da revista feminista Ms. (1972) e a comemoração dos 40 anos da revista em 2012.
Capa da revista feminista Ms. (1972) e a comemoração dos 40 anos da revista em 2012.

Pode ser dito, por fim, que ainda que tenha sido concebida dentro do jogo ideológico da indústria cultural, os debates sobre a imagem da Mulher-Maravilha adquiriram camadas e interpretações que ultrapassaram a esfera artística atestando a necessidade de se discutir o papel da mulher na contemporaneidade.

A polêmica mais recente: Mulher-Maravilha é gay?
A polêmica mais recente: Mulher-Maravilha é gay?

Louca, anormal, heroína, sado-masoquista, pervertida, gay, ícone feminista. As possibilidades de escolha da Mulher-Maravilha como um tipo ideal da mulher moderna não se encerram após a descoberta do discurso que a criou.

Fontes consultadas

CUNHA, Jaqueline dos Santos. A representação feminina em Mulher Pantera e Mulher Maravilha. 2016. 151 f. Dissertação (Mestrado em Estudos da Linguagem) – Universidade Federal de Goiás, Catalão, 2016. Disponível em https://repositorio.bc.ufg.br/tede/handle/tede/5890

JONES, Gerard. Homens do amanhã: geeks, gângsteres e o nascimento dos gibis. Trad. Guilherme da Silva Braga e Beth Vieira. São Paulo: Conrad. Editora do Brasil, 2006.

LEPORE, Jill. The secret history of wonder woman. New York: Alfred A. Knopf, 2014.

MADRID, Mike. The supergirls: fashion, feminism, fantasy and the history of comic book heroines. New York: Exterminating Angel, 2010.

NUNES, Silvia Alexim. O corpo do diabo entre a cruz e a caldeirinha: um estudo sobre a mulher, o masoquismo e a feminilidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000. (Coleção Sujeito e História).

ROBBINS, Trina. The great women superheroes. Northampton/Massachusetts: Kitchen Sink Press, 1996.

Escrito por Alexander Meireles da Silva

Contato: fantasticursos@gmail.com