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Jogando luzes nas trevas (Parte 3): O Gótico no Brasil decadente

No primeiro post escrevi sobre como o Gótico chegou a Literatura Brasileira durante o Romantismo por meio do Gótico Colonial, quando escritores abordaram o interior do país em um processo de reconhecimento e apresentação do país aos brasileiros.

O château do local foi construído no estilo em estilo gótico-provençal
Castelo Gótico da Ilha Fiscal, no centro do Rio de Janeiro.

Já no segundo post, da semana passada, o assunto foi a chegada do Gótico aos centros urbanos brasileiros através da Ciência Gótica.

O termo "Ciência Gótica" usado pelo crítico brasileiro Bráulio Tavares.
O Romance FRANKENSTEIN (1818), de Marys Shelley é tomado como um dos primeiros casos de Ciência Gótica .

Nesta terceira e última parte dos primeiros momentos da Literatura Gótica no Brasil vou mostrar como, além da Ciência Gótica, o Gótico se manifestou nas cidades brasileiras através por Decadentismo

A decadência do moderno

Ilustração do artista simbolista e surrealista Santiago Caruso.

O termo “Decadência”, conforme o verbete no Dictionary of Literary Terms and Literary Theory (1991), descreve um período da Arte ou da Literatura que, comparado com a excelência de uma era anterior, está em declínio.

Origem

Ilustração do artista simbolista e surrealista Santiago Caruso.

Ainda que o termo já tivesse sido usado para descrever, lá na Antiguidade, o final dos períodos Alexandrino (300-30 a.C.) e do Imperador Romano Augusto (14 d.C.), ele se consagrou nos tempos modernos na França para designar o movimento simbolista de meados e fim do século XIX.

Em termos estritamente literários, segundo o crítico Orna Messer Levin em As figurações do dândi (1996), a noção de Decadência apareceu pela primeira vez na França em 1834 no estudo do crítico Desiré Nisard no qual eram analisadas as semelhanças da poesia latina com a literatura romântica.

Mas foi com a coletânea de poemas As flores do mal (1857), do poeta Charles Baudelaire, fortemente influenciado pela visão artística de Edgar Allan Poe, que a literatura decadentista encontrou o seu manifesto, ganhando força através da influência exercida sobre os artistas contrários ao status quo.

Características

Ilustração do artista simbolista e surrealista Santiago Caruso.

O Decadentismo era identificado por algumas características, tais como:

  • Autonomia da arte em relação as questões sociais;
  • Necessidade do sensacionalismo;
  • Necessidade do melodrama;
  • Foco no egocentrismo;
  • Preferência pelo bizarro;
  • Construção de um mundo interior, artificial;
  • Posição autônoma do artista em relação à sociedade, particularmente a classe média burguesa;
  • Crítica ao racionalismo científico presente no pensamento realista-naturalista.

A Bíblia do movimento

Ilustração do artista simbolista e surrealista Santiago Caruso.

Em 1884, o Decadentismo chegou à prosa com a publicação de Às avessas, de Joris-Karl Huysmans, considerado como o “breviário” do movimento.

Nele, as idéias decadentistas ganham corpo no protagonista Des Esseintes, que exemplifica a figura decadente, consumida pela maladie fin de siècle.

Ele devota sua energia, fortuna e inteligência à substituição do natural pelo não-natural e artificial em uma existência que se resume pela busca de sensações novas e bizarras, uma ânsia trágica de libertação e narcisismo.

Na Literatura Inglesa, que veio a impactar diretamente esta manifestação do Gótico no Brasil, encontramos personagens decadentes nas figuras de Dr. Jekyll/Mr. Hyde (O estranho caso de Dr. Jekyll e Mr. Hyde /1886) e, principalmente, o jovem Dorian Gray (O retrato de Dorian Gray / 1891). 

A cidade nova e decadente

A influência do Decadentismo como veículo para as convenções e temáticas do Gótico se manifestou no uso da cidade como principal espaço das histórias.

Como destaca Alexandra Warwick em “Urban Gothic” (1998), a alienação do homem oprimido por uma cidade negra pela fumaça das fábricas foi refletida em uma personalidade paranoica e fragmentada.

A cidade, seja a Londres vitoriana ou o Rio da Belle Époque, apareceu como um lugar de ruínas, paradoxalmente sempre novo, mas sempre decadente, um estado de morte em vida que, no romance Drácula (1897), de Bram Stoker, ajuda a explicar a atração de Londres sobre o morto-vivo da Transilvânia.

Essa dualidade também foi refletida em O estranho caso de Dr. Jekyll e Mr. Hyde onde a dualidade dos personagens reflete a contradição de uma cidade com comportamentos distintos de dia e de noite. 

No Brasil, escritores diversos incorporaram esse espírito decadentista/simbolista como, dentre outros, Alphonsus de Guimaraens, Rocha Pombo e, nos anos 50, Cornélio Pena, mas nenhum outro foi mais representativo das contradições das primeira décadas do século 20 que João do Rio, pseudônimo do jornalista e escritor Paulo Barreto.

O Gótico decadentista brasileiro

João do Rio foi o responsável por introduzir Oscar Wilde no Brasil.

“Oh! SIM, as ruas têm alma. Há ruas honestas, ruas ambíguas, ruas sinistras, ruas nobres, delicadas, trágicas, depravadas, puras, infames, ruas sem história, ruas tão velhas que bastam para contar a evolução de uma cidade inteira, ruas guerreiras, revoltosas, medrosas, speenéticas, esnobes, ruas aristocráticas, ruas amorosas, ruas covardes, que ficam sem pinga de sangue…” (RIO, 1987). 

A rua, esta entidade de vida própria, reflexo da alma ambígua do escritor-jornalista, é o lugar por onde passeiam de dia a dama da sociedade, o cavalheiro, as modern girls e os chamativos automóveis.

É na noite, porém, que este local se revela plenamente na apresentação de sua atmosfera carregada de vício, medo e mistério.

Não à toa o título de seu principal livro de contos – Dentro da noite (1910) – anuncia o palco ideal para narrativas povoadas por jogadores, neuróticos, suicidas, sádicos, pervertidos, hiperistéricos e outros personagens desajustados.

Falando sobre a importância desse elemento e do desejo de modernização urgente da época, Marshall Berman destaca:

“Por toda a era de Haussmann e Baudelaire, entrando no século XX, essa fantasia urbana cristalizou-se em torno da rua, que emergiu como símbolo fundamental da vida urbana” (BERMAN, 1986).

A menção a dois ícones do período de posições e valores opostos – Haussmann e Baudelaire – enfatiza a condição ambivalente e contraditória da rua que foi assumida pela ficção de João do Rio. 

Uma característica comum de estetas como Des Esseintes, Dorian Gray e os personagens de João do Rio consiste na troca da realidade imediata pela ilusão.

Dorian Gray e PENNY DREADFUL

Esta construção visa criar um espaço dimensionado artificialmente no qual se afirme a capacidade do homem de libertar-se da natureza.

Os estetas rejeitam a paisagem natural de duas maneiras: usando cenários artificiais e recriando o espaço urbano a partir da força imaginativa. Assim, a cidade especifica um topos da literatura decadentista e também da literatura Gótica. Como salienta Levin:

“Na urbe o devaneio angustiante em busca de uma visão, uma imagem que integre o homem à vida ganha características topográficas. A ideia de que o homem se encontra subjugado ao desequilíbrio dos nervos aparece tematizada na cidade desconhecida, cheia de passagens obscuras que criam a sensação de mistério. Este espaço reproduz na forma de ruas estreitas, becos escuros, canais, pontes e avenidas a impossibilidade de a personagem decadentista reconhecer-se no tipo de vida contemporânea” (LEVIN, 1996).

Sobre bebês deformados e automóveis satânicos

Um exemplo dessa utilização do espaço urbano como pano de fundo de uma narrativa pontuada por uma atmosfera de imoralidade, erotismo, desordem e presença do sobrenatural é “O bebê de tarlatana rosa” (1910).

Carnaval carioca em 1920

Ambientada durante o Carnaval, período em que a razão, a ordem e o racionalismo são suspensos a favor do descontrole, da depravação e dos desejos bestiais, este conto de João do Rio acompanha os passos de Heitor de Alencar atrás de uma figura fantasiada de bebê com um nariz postiço.

Entre beijos e abraços, os dois personagens se afastam para uma rua escura onde em um ímpeto de tesão e curiosidade Heitor arranca a máscara da pessoa para revelar um ser que muito lembra a personificação da morte no conto e Poe “A máscara rubra da morte”:

“Presa dos meus lábios, com dois olhos que a cólera e o pavor pareciam fundir, eu tinha uma cabeça estranha, uma cabeça sem nariz, com dois buracos sangrentos que era alucinadamente – uma caveira com carne…” (RIO, 2001).

Seria uma figura feminina ou um homossexual? O conto deixa aberto as interpretações

A fragmentação sentida pelo homem finissecular diante das mudanças trazidas pela Revolução Industrial e pela alienação da Belle Époque deram margem a uma visão dos produtos da ciência e do progresso como elementos quase sobrenaturais, até mesmo satânicos, que se identificavam com a postura encontrada tanto no Decadentismo quanto na Ciência Gótica.

Este comportamento pode ser constatado em João do Rio diante do automóvel na crônica “A Era do Automóvel”:

“E a transfiguração se fez como nas férias fulgurantes, ao tã-tã de Satanás. Ruas arrasaram-se, avenidas surgiram, […] e desabrido o automóvel entrou, arrastando desvairadamente uma catadupa de automóveis. Agora, nós vivemos positivamente nos momentos do automóvel, em que o chofer é rei, é soberano, é tirano” (RIO, 1971).

Na crônica de João do Rio o automóvel é o símbolo do grande paradoxo da modernidade: ao mesmo tempo em que ele aponta a direção para onde a civilização se encaminha, ele altera radicalmente a paisagem e a noção de tempo e, neste processo, também muda a vida dos motoristas.

Nesta contradição se descobre o dilema decadente de João do Rio: declara amor à modernidade e paradoxalmente manifesta abertamente as suas reservas quanto aos seus efeitos.

A análise deste quadro ajuda a compreender o aparente paradoxo do dândi em flertar com as duas faces da Belle Époque. Na verdade, há apenas um lado, no qual está o homem finissecular, alienado e fragmentado pelo pensamento cientifico.

E assim, seja apresentando um país estranho aos brasileiro pelo Gótico Colonial, seja pela expressão do fascínio e temor com os produtos do progresso através da Ciência Gótica, ou se posicionando de forma crítica denunciando a decadência de uma sociedade racionalista, a Literatura Gótica aportou no Brasil, criando um caminho que seria seguido por outros escritores nas décadas seguintes.

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Uma ótima semana!

Fontes utilizadas

BERMAN, Marshall. Tudo que é sólido desmancha no ar. A aventura da modernidade. Trad. Carlos Moisés e Ana Ioratti. São Paulo: Companhia das Letras, 1986.

BROCA, Brito. A vida literária no Brasil: 1900. 2 ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1960.

LEVIN, Orna Messer. As figurações do dândi: um estudo sobre a obra de João do Rio. Campinas: Editora da UNICAMP, 1996.

LIMA, Luiz Costa. Sociedade e discurso ficcional. Rio de Janeiro: Ed. Guanabara, 1986.

MIGUEL-PEREIRA, Lucia. Prosa de ficção (1870 a 1920). 2 ed. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1957. (História da Literatura Brasileira. Vol. XII)

MOISÉS, Massaud. O Simbolismo. São Paulo: Editora Cultrix, 1973. (A literatura Brasileira, vol IV).

NEEDELL, Jeffrey D. A Tropical Belle Epoque: Elite Culture and Society in Turn-of-thecentury Rio de Janeiro. Cambridge: Cambridge University Press, 1987.

PORRU, Mauro. Prefácios do imaginário decadentista. In: COUTINHO, Luiz Edmundo Bouças. (Org.). Arte e artifício: manobras de fim-de-século. Rio de Janeiro: UFRJ, 2002. p. 57-68.

RIO, João do. A alma encantadora das ruas. Rio de Janeiro: Secretária municipal de cultura, 1987. (Biblioteca Carioca; vol. 4)

______. A era do automóvel (fragmentos). In: MARTINS, Luís. João do Rio: uma antologia. Rio de Janeiro: Instituto Nacional do Livro, 1971, p. 47-50.

______. O bebê de tarlatana rosa. In: CUNHA, Helena Parente. (Seleção). Melhores contos de João do Rio. 2 ed. São Paulo: Global, 2001. (Melhores contos; 15), p. 71-75.

SILVA, Alexander Meireles da. O admirável mundo novo da República Velha: o nascimento da ficção científica brasileira. Rio de Janeiro, UFRJ, Faculdade de Letras, 2008. 193 fl. digitadas. Tese de Doutorado em Literatura Comparada.

TAVARES, Bráulio. (Org.) Páginas de sombra: contos fantásticos brasileiros. Rio de Janeiro: Casa da palavra, 2003.

WARWICK, Alexandra. Urban Gothic. In: MULVEY-ROBERTS, Marie. (ed.). The Handbook to Gothic Literature. New York: NY University Press, 1998, p. 288-289.

Jogando luzes nas Trevas (Parte 1) Conheça o Gótico Colonial brasileiro.

Na escola (quando se fala disso na escola) falou de Gótico no Brasil falou de Álvares de Azevedo e Noite na Taverna (1855), certo?

A obra de Azevedo utiliza diretamente várias convenções do Gótico europeu

Mas, na verdade, o buraco é mais embaixo (além de mais profundo e assustador).

Aproveitando que lá no canal do FANTASTICURSOS no Youtube estou fazendo a série O QUE É GÓTICO, vou falar brevemente aqui no blog de como está vertente do Fantástico entrou e se manifestou no Brasil em seus primeiros momentos em dois momentos diferentes de nossa Literatura. 

Neste primeiro post, vou falar do Gótico Colonial brasileiro.

O Gótico Colonial brasileiro

Em seu primeiro momento, o Gótico literário se manifestou dentro do Romantismo, quando poetas e escritores pretenderam estabelecer as bases de uma literatura verdadeiramente nacional.

José de Alencar, Álvares de Azevedo e Castro Alves foram os principais nomes do Romantismo.

Duas características do Romantismo ajudaram neste início do Gótico em nossas terras:

  1. Resgate do passado nacional;
  2. Apresentação do país para o seu próprio povo.

José de Alencar e o índio cavaleiro

“A Canção do Velho Marinheiro” foi uma das primeiras manifestações do Romantismo na Inglaterra.

Se na Inglaterra o passado medieval do país fomentou poemas como “A Canção do Velho Marinheiro (1798), de Samuel Taylor Coleridge e nos Estados Unidos o passado puritano inspirou Nathaniel Hawthorne a escrever A Letra Escalarte (1850), no Brasil José de Alencar deixou sua marca a partir da presença dos índios com o Guarani (1857).

Como Daniel Serravalle de Sá discute em Gótico tropical (2010), ainda que não tenha sido concebido como um romance Gótico, o clássico indianista de José de Alencar possui imagens e linguagem semelhante àquelas utilizadas pelos romances góticos ingleses.

Essa presença gótica, muito evidenciada na utilização do Sublime dos espaços da Natureza e na representação do vilão Loredano, dentre outros elementos, se alinha com nosso momento literário quando a obra, ao mesmo tempo que enaltecia ideias progressistas pós-Independência, também refletia a realidade da sociedade brasileira.  

Bernardo Guimarães e o Sertão assombrado

Foi a partir de Bernardo Guimarães que o Gótico brasileiro encontrou seu principal caminho para se infiltrar no Brasil dentro da proposta romântica de apresentar os costumes e crenças do Brasil do interior para os habitantes dos centros urbanos. 

Esse fato pode ser percebido em obras como “Orgia dos duendes” (1865) em que lobisomens, bruxas, demônios e outras criaturas sobrenaturais do folclore brasileiro e europeu se encontram para um sabá ou em Escrava Isaura (1875), em que a temática gótica do século 18 do aristocrata medieval em perseguição a uma donzela é transportada para as senzalas de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro.

Já no conto “A Dança dos Ossos” (1871) se pode notar como o Gótico brasileiro refletiu as mesmas preocupações do Gótico inglês no que a crítica Alexandra Warwick chamou de “Gótico Colonial”.

Lidando com a experiência do sujeito da cidade ou do centro colonizador em um espaço estrangeiro, o Gótico Colonial trata como insólitos tanto a paisagem quanto as pessoas que habitam  o lugar do estranhamento.

No conto, que usa a temática dos ossos denunciadores de um crime, um habitante da cidade viajando pela divisa de Goiás com Minas Gerais do século 19 descreve sua incredulidade ao ouvir de um habitante da região sobre a ocorrência de ossos que dançam próximo a um rio do local.

Ao considerar a possibilidade do sobrenatural como sinal do atraso e da superstição do sertão e seus habitantes em oposição a um país que se pretendia progressista, o Gótico brasileiro vai se equiparar com contos desenvolvidos durante as últimas décadas do século 19 no Gótico vitoriano que tem como ponto em comum o desprezo dos ingleses com os costumes e crenças de terras estrangeiras.

Esse posicionamento pode ser visto em contos como “A marca da besta” (1890), de Rudyard Kipling, onde o desprezo pelos lugares sagrados leva um inglês na Índia a se transformar em um lobisomem.

Outro exemplo é “O convidado de Drácula” (1914), de Bram Stoker, em que um homem a caminho da Transilvânia não dá ouvidos as advertências dos aldeões do leste europeu e paga o preço pela sua arrogância.

Monteiro lobato e o interior monstruoso

A obsessão das elites brasileiras em transformar as cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo em uma nova Paris Tropical, tida como exemplo de civilização no início do século 20, intensificou essa marginalização do interior pelos olhos da cidade e reforçou a disseminação dessa leitura do Gótico colonial em outros obras como “Bocatorta” e “Velha Praga”, de Monteiro Lobato, ambos publicados em Urupês (1918).    

Neste quadro, e guardadas as devidas especificidades culturais entre Inglaterra vitoriana e Brasil da República Velha (1889-1930), o crítico Jeffrey D. Needell observa que o modo de pensar da elite brasileira nas primeiras décadas do século vinte em muito se assemelhou a ideologia imperialista inglesa:

“Com frequência a elite enxergava o Brasil de forma semelhante a dos colonizadores europeus da época, que em outras partes do mundo viam as colônias propriamente ditas como uma área de riquezas potenciais, cuja exploração era dificultada pela presença de raças e culturas inferiores.” 

Dentro deste cenário, a mentalidade neocolonial ou imperialista das elites fomentou uma produção literária marcada pelo preconceito em relação a uma parte do país e/ou a segmentos da população que, pelos parâmetros das grandes cidades do período como Rio de Janeiro e São Paulo, ainda pertenciam a um tempo medieval de atraso, superstição e barbárie; uma visão que perduraria por toda a República Velha (1889-1930). 

Mas não foi apenas por meio do Gótico Colonial brasileiro que a Literatura Gótica assombrou as letras brasileiras.

Na próxima semana, vou falar como o Decadentismo levou o Gótico para dentro das cidades brasileiras, abordando as taras, ansiedades e subversões dos centro urbanos. 

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Fontes utilizadas

BOSI, Alfredo. História Concisa da Literatura Brasileira. 47ed. São Paulo: Cultrix, 2006.

BURKE, Edmund. Uma Investigação Filosófica sobre a Origem de nossas Idéias do Sublime e do belo. Trad. Enid Abreu Dobránszky. Campinas, SP: Papirus Editora, 1993.

NEEDELL, Jeffrey D. A Tropical Belle Epoque: Elite Culture and Society in Turn-of-the-century. Rio de Janeiro. Cambridge: Cambridge University Press, 1987.

SILVA, Alexander Meireles. Literatura inglesa para brasileiros: curso completo de cultura e literatura inglesa para estudantes brasileiros. Rio de Janeiro: Editora Ciência Moderna, 2005.

SILVA, Alexander Meireles. O admirável mundo novo da República Velha. Rio de Janeiro, UFRJ, 2008. 193 fl. digitadas. Tese de Doutorado em Literatura Comparada. Acesso em 16 fev, 2017.

SNODGRASS, Mary Ellen. “Colonial Gothic”. Mary Ellen Snodgrass. Encyclopedia of Gothic Literature. New York: Facts On File, 2005. 61-62.

WARWICK, Alexandra. “Colonial Gothic”. Marie Mulvey-Roberts, ed. The Handbook to Gothic Literature. New York: New York University Press, 1998. 261-262.