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Você conhece os 4 deuses da Mitologia Nórdica que fazem o seu dia?

Os deuses da Mitologia Nórdica estão entre nós.

No Cinema, Thor: Ragnarok (2017), o terceiro filme do super herói da Marvel baseado no Deus do Trovão nórdico, traz para as telas o apocalipse dos deuses nórdicos.    

Na Literatura, Mitologia Nórdica (2017), de Neil Gaiman usa o seu talento como escritor do fantástico para narrar os melhores mitos nórdicos para a atualidade. 

Na Televisão, Vikings vem desde 2013 disseminando a cultura e a mitologia escandinava desse povo guerreiro em episódios semanais.

A série já tem uma quinta temporada aprovada para produção.

Nos Games, God of War 4 (2018) vai trazer as criaturas e seres fantásticos da Mitologia Nórdica para um jogo de ação que promete renovar a tradicional franquia do console Playstation. 

Jormungand, ou Jörmundgander, era também conhecida como a Serpente-lobo ou a Serpente de Midgard.

Como professor de Língua Inglesa e formador de novos professores, esse é o momento em que lembro aos alunos que Língua e Cultura sempre andam juntas, uma alimentando a outra.

Apenas para citar um caso, no caso da deusa Hella, vilã do próximo filme Thor: Ragnarok, seu nome serviu de base para a criação da palavra inglesa Hell (“Inferno”).  

Na Mitologia, Hella é filha de Loki com a gigante Angrboda
Hella tem como irmãos o lobo Fenrir e a serpente Jormungand.

Longe de ser um fenômeno recente, os deuses da Mitologia Nórdica sempre marcaram presença na cultura ocidental, a ponto de estarem presente em nosso dia a dia na forma dos dias da semana.

Mitologia do dia a dia

Segue abaixo um lembrete para que os professores de Língua Inglesa explorem o potencial desses 4 deuses nórdicos para facilitar o aprendizado de seus alunos tornando as aulas mais interessantes por meio do Fantástico.

Tyr

Dia da semana: Tuesday (Tyr’s day): Terça-feira

Atribuição: Deus do combate singular e da guerra. Era a Tyr que os guerreiros pediam proteção antes das batalhas. 

Curiosidade: Talvez o menos conhecido dentre os deuses aqui listados, Tyr possuía inicialmente a mesma importância de Odin e Thor, e é o único que possui força semelhante ao conhecido Deus do Trovão Thor.

Talvez por conta desta relevância passada ele esteja presente nos dias da semana ao invés de deuses nórdicos mais conhecidos hoje, como Balder e Heimdall.  

Associado no Império Romano ao Deus da Guerra Marte, Tyr é particularmente conhecido por ter sido o único deus com coragem suficiente para por a mão na boca do lobo Fenrir, como garantia de que o mesmo pudesse ser acorrentado. Esse sacrifício, que o fez perder a mão, faz de Tyr um símbolo da glória imortal e a principal virtude cultivada entre os nórdicos.

Segundo as profecias do Ragnarök, Tyr está destinado a morrer junto com Garm, o cão que guarda Hel, o reino dos mortos.  

Odin

Dia da semana: Wednesday (Woden day / Wodnesday): Quarta-feira

Atribuição: Senhor dos Deuses, Deus supremo do panteão nórdico. Associado a vários elementos, muitos contraditórios, como morte, cura, poesia e conhecimento.

Curiosidade: Relacionado na cultura romana ao deus Mercúrio, Odin (ou Woden, como era chamado e Inglês antigo), assim como qualquer outra divindade que possui sabedoria suprema, precisou demonstrar mérito e fazer sacrifícios para adquirir o saber.

Em busca da onisciência, Odin passou nove dias e nove noites trespassado por sua própria lança pendurado em Yggdrasil, a Árvore da Vida. Por isso ele também era o deus dos enforcados. 

Foi durante este período que ele inventou as runas, por meio dos quais os deuses e os homens eram capazes de saber o que está alem do tempo. 

Também em busca de mais conhecimento,  Odin sacrificou um dos olhos em troca da chance de beber um gole do poço do deus Mimir, cuja água confere a quem bebe sabedoria suprema.  O olho que Odin perdeu se tornou a lua cheia.

Como arma, o Senhor dos Deuses possui a lança Gungnir, que nunca erra o alvo e sua montaria era o cavalo de oito patas Sleipnir. Ele também possui dois corvos, Hugin e Munin que deixam Asgard, a morada dos deuses a cada manhã e retornam apenas a noite para trazer as notícias dos nove reinos para Odin.

Profetizado a ser engolido vivo e inteiro pelo lobo Fenrir no Ragnarök, Odin é um dos mais complexos deuses da mitologia nórdica e possui muitos atributos, sendo por vezes descrito como uma divindade cruel.

O escritor J. R. R. Tolkien se baseou em Odin para criar o mago Gandalf, o Cinzento.  

Thor

Dia da semana: Thursday (Tor’s day): Quinta-feira

Atribuição: Deus do trovão, do clima, das plantações e protetor dos marinheiros.

Curiosidade: O mais popular dentre todos os deuses nórdicos, Thor, filho de Odin, era a divindade a quem os escandinavos pediam proteção a ponto de, antes desse povo ser convertido ao Cristianismo, usarem um pingente com a forma do martelo Mjöllnir.

Posteriormente os catequizadores aproveitaram a semelhança entre o martelo de Thor e o crucifixo cristão para evangelizar o povo. 

Na cultura romana, Thor era associado a Jupi ter, que era o Senhor dos raios e trovões.

Thor era um deus que resolvia as coisas sempre por meio da força física e não pelo uso da inteligência. Essa imagem foi trabalhada pelo escritor Neil Gaiman na série em quadrinhos Sandman nos anos 90 onde Thor era representado como um brutamontes sem cérebro. 

Descrito como possuidor de longas barbas e cabelos ruivos, Thor era casado com Sif, deusa da fertilidade como Freya e Frigga, e era pai de Magni e Modi.

Atravessando os céus em sua carruagem puxada pelos bodes Tanngrisnir e Tanngnjóstr Thor irá perecer no Ragnarök defendendo Midgard contra seu inimigo jurado, a Serpente que circunda a terra Jormungand.

Frigga

Dia da semana: Friday (Frige’s Day): Sexta-feira

Atribuição: Deusa da profecia e da fertilidade. 

Curiosidade: Esposa de Odin e associada no Império Romano a Vênus, Frigga é a mais importante deusa do panteão nórdico e se diferencia de Freya, outra deusa da fertilidade pelo fato desta última estar ligada ao sexo selvagem, a luxuria e a lascivia, enquanto que Frigga é o sexo romântico, ligado ao matrimônio. 

Frigga passa grande parte de seu tempo fiando nuvens coloridas. É ela que pinta de dourado as nuvens do poente e é a única divindade autorizada a sentar no trono de Odin. 

A carruagem de Frigga é puxada por gatos.

Assim como outras mulheres da cultura nórdica, Frigga era altiva e mantinha certa independência em relação aos homens. Em algumas narrativas ela trai Odin com os irmãos do senhor dos deuses, Vili e Ve.

Fica a dica então para quem ensina Inglês ou está aprendendo essa língua a ficar ligado na importância dos deuses da mitologia nórdica na cultura de hoje. Afinal de contas, Tyr, Odin, Thor e Frigga estão presentes em nosso dia a dia. 

Fontes utilizadas 

DAVIDSON, H. R. Ellis. Escandinávia. Trad. Luís Filipe Rizo. São Paulo: Editora Verbo, 1987. (Biblioteca dos grandes mitos e lendas universais).

LINDAHL, Carl; MCNAMARA John; LINDOW, John. Medieval Folklore: A Guide to Myths, Legends, Tales, Beliefs, and Customs. New York: Oxford, 2002. 

PHILIP, Neil. O livro ilustrado dos mitos: contos e lendas do mundo.  Trad. Felipe Lindoso. São Paulo: Marco Zero, 1996.

ROSE, Carol. Giants, Monsters & Dragons: An Encyclopedia of Folklore, Legend, and Myth. New York: W. W. Norton Company, 2001.

SHERMAN, Josepha. (Ed.). Storytelling: An Encyclopedia of Mythology and Folklore. New York: M. E. Sharpe , Inc., 2008.

Escrito por: Alexander Meireles da Silva

Contato: fantasticursos@gmail.com

Este texto pertence ao blog Fantasticursos e foi publicado no endereço fantasticursos.com

10 super-heroínas que combatiam o crime antes da Mulher-Maravilha

A Mulher-Maravilha está em alta!

No post sobre a personagem aqui no blog mostrei os motivos e polêmicas que levaram a princesa amazona a ser a mais importante e representativa super-heroína da cultura de massa, mesmo após 75 anos de sua criação em 1941.

Mas, ao contrário do que muitos podem pensar, ela não foi a primeira representante feminina do gênero super-heróis das Histórias em Quadrinhos.

Mas quais mulheres defendiam os fracos e oprimidos antes de seu surgimento?

Para responder a esta questão, trago hoje as 10 heroínas e super-heroínas que combatiam o crime antes da Mulher-Maravilha.

E se você que ver logo a lista, sem querer saber antes dos critérios para criá-la, clique aqui.

Mas o que é um super-herói?

Qual é o ponto em comum entre Batman e Superman? Entre Gavião Arqueiro e Homem-Aranha? Super poderes? Identidade secreta? Uso de aparatos tecnológicos? Compromisso com a justiça? Como se define um super-herói?

Para o crítico Peter Coogan, os super-heróis têm como características principais uma Missão, Poderes ou superforça e Identidade secreta (MPI).

Já para a pesquisadora Jennifer Stuller, os super-heróis não são definidos somente pelos superpoderes ou pelas fantasias que usam no intuito de preservarem sua real identidade, mas principalmente pelo compromisso com a luta em defesa dos inocentes.

Em outras palavras, são super-heróis por irem além das suas condições humanas para fazerem o bem aos outros.

Tomando então como base o conceito de Jennifer Stuller, foram selecionadas aqui personagens femininas do gênero aventura e super-heróis, com ou sem poderes, que podem ser tomadas como exemplos de super-heroínas.  

Quem entrou? Quem ficou de fora? E por que?

Entraram na lista a seguir personagens femininas que surgiram antes da primeira aparição da Mulher-Maravilha nos quadrinhos, ocorrida em All Star Comics #8, de dezembro de 1941.

A personagem fez tanto sucesso que ganhou revista própria seis meses após sua criação. Em Wonder Woman #1, de julho de 1942.

No entanto, apesar de terem sido publicadas antes da Mulher-Maravilha, ficaram de fora as seguintes personagens:

1. Heroínas que foram criadas inicialmente como interesse amoroso do super-herói

Caso de Lois Lane, que a despeito de sempre ter sido retratada como uma mulher forte, determinada e destemida, desde sua primeira aparição em 1938, acaba sendo utilizada como suporte para as ações heroicas do Superman. 

No anos 50 a personagem ganhou revista própria, mas perdeu sua força feminina para passar a ser a namorada do Superman

2. Heroínas que foram criadas como versões femininas de super-heróis masculinos

Caso da Mulher-Gavião (Hawkgirl) (Janeiro, 1940), apresentada como a namorada do Homem-Gavião, sendo coadjuvante em suas histórias. 

Exemplo semelhante é o da Bulletgirl (Abril, 1941) namorada, ajudante e esposa (nesta sequencia) do super-herói Bulletman.

Em ambos os casos, assim como ocorreu com outras super-heroínas, as personagens não tinham voz própria, sendo muitas vezes resgatadas por seus equivalentes masculinos.

3. Heroínas cuja criação e motivação estão ligadas direta e exclusivamente a Segunda Guerra Mundial

Aqui se inserem as heroínas criadas na onda da propaganda norte-americana na Segunda Guerra Mundial, tendo seu espaço de atuação regulado pelo conflito.

Estas personagens não exerceram influencia além deste contexto histórico-cultural.

São exemplos deste tipo, Pat Parker, War Nurse, Pat Patriot, Lady Satan, Miss Victory e Black Venus.

O ponto em comum a todas estas combatentes do mal foi a gradual perda de popularidade junto aos leitores e o eventual cancelamento de suas publicações após o fim da guerra.   

Black Venus

4. Heroínas cujas publicações duraram menos de seis meses

Na avalanche de super-heróis e super-heroínas das décadas de 40, algumas personagens não conseguiram se estabelecer no mercado, vindo a desaparecer com menos de seis meses, não deixando influências a serem seguidas. 

Este é o caso de, dentre outras, Amazona, Madame Strange e Spider Queen. 

Para quem quer conhecer em maiores detalhes o nascimento e desenvolvimento das super-heroínas dos quadrinhos, recomendo o trabalho A representação feminina em Mulher Pantera e Mulher Maravilha (2016), da pesquisadora brasileira Jaqueline dos Santos Cunha, disponível gratuitamente para leitura, aqui.

Tive o prazer de orientar esta pesquisa que traz um dos mais completos e atuais panoramas da representação feminina nos quadrinhos norte-americanos da primeira metade do século vinte. 

Agora que os critérios foram explicados e sugestões de leitura foram indicadas, vamos a lista:

10 Super-heroínas das HQs que antecederam a Mulher-Maravilha

Conheça abaixo agora, por ordem de publicação, as 10 primeiras (e principais) combatentes do crime dos quadrinhos que prepararam o caminho para a chegada da Mulher-Maravilha em dezembro de 1941.

1. Sheena

Descrição: Sheena se insere em um contexto de popularidade no início do século vinte das chamadas jungle stories (histórias passadas em selvas de regiões dominadas ou influenciadas por países da Europa e Estados Unidos), e que fomentaram a criação, na época, de personagens da ficção pulp e quadrinhos como Tarzan e Fantasma.

As jungle stories refletiram a influência dos romances de aventuras de fins do século dezenove de escritores como H. Rider Haggard e Rudyard Kipling, sempre ambientadas em lugares exóticos na África e na Ásia.

É justamente a partir do romance Ela (1887), de Haggard que Will Eisner e Jerry Iger criaram Sheena, a Rainha das Selvas. O próprio nome da personagem soava como o título do livro de Haggard (She, no original).

Sheena Rivington cresceu como órfã em meio a selva, onde ela aprendeu os segredos da floresta e da comunicação com os animais.

Com o tempo, Sheena se tornou rainha de uma tribo local e, semelhante a Jane em relação a Tarzan, também teve um relacionamento amoroso com o personagem Bob Reynolds.

Em uma inversão de papeis, raras de se ver na época, Sheena costumeiramente salvava Bob de perigos.  

Primeira aparição: Wags #1 (Janeiro, 1938) (Inglaterra) e Jumbo Comics #1 (Setembro, 1938) (EUA) 

Criadores: Will Eisner e Jerry Iger

Editora: Editors Press Service (Inglaterra) e Fiction House (EUA)

Destaque: A primeira heroína dos quadrinhos. 

2. Red Tornado

Descrição: Após ver sua filha ser sequestrada e não poder contar com a ajuda da polícia ou do herói Lanterna Verde, a corpulenta Abigail Mathilda “Ma” Hunkel decide colocar um balde na cabeça, vestir uma roupa que escondia sua identidade feminina e assumir o nome de Tornado Vermelho

Ao contrário da grande maioria das personagens aqui, Abigail Mathilda “Ma” Hunkel sobreviveu até os dias de hoje, se tornando governanta da base de operações da Sociedade da Justiça da América.

Ela, no entanto, ainda não foi vista após o reboot da editora DC Comics de 2011 chamado de Os Novos 52

Primeira aparição: All-American Comics #3 (Junho, 1939), na sua identidade civil e All-American Comics #20 (Novembro, 1940), como Tornado Vermelho.

Criadores: Sheldon Mayer

Editora: All-American Publications

Destaque: A primeira heroína drag king e a primeira paródia de super-herói. 

3. Fantomah

Descrição: Uma das criações mais originais dos quadrinhos, Fantomah também bebe das influências nos romances de aventuras de Haggard, em especial a deusa branca Ayesha do livro She e sua sequencia Ayesha (1905).

Protetora da selva e seus habitantes, Fantomah era uma atraente loira que ao ativar seus poderes se tornava um ser vingativo de pele azul e face de caveira.

Nesta forma ela tinha poderes quase ilimitados, através dos quais punia os invasores de sua terra.

Posteriormente ela foi reapresentada como a reencarnação de uma princesa egípcia, mas isso não salvou a personagem de cair no esquecimento já em 1942. 

Primeira aparição: Jungle Comics #2 (Fevereiro, 1940)

Criadores: Fletcher Hanks

Editora: Fiction House

Destaque: A primeira super-heroína no sentido pleno da palavra, pois tinha superpoderes.

4. The Woman in Red

Descrição: Detetive da policia Peggy Allen assume a identidade secreta da Mulher de Vermelho para combater o crime sem as limitações da lei. 

Atiradora habil e detetive brilhante, a Mulher de Vermelho não hesitava em matar os criminosos quando a situação assim exigia. Lembrando que nessa época até o Batman usava armas de fogo.

Ao lado de outros super-heróis das décadas de 30 e 40 que caíram em domínio público, a personagem foi resgatada do limbo em 2001 pelo escritor inglês Alan Moore para sua série Tom Strong

Nesta releitura, a Mulher de Vermelho possui um rubi que lhe confere superpoderes como voo e projeção de energia.

Primeira aparição: Thrilling Comics #2 (Março, 1940)

Criadores: Richard Hughes e George Mandel

Editora: Nedor Comics

Destaque: A primeira combatente do crime com uniforme e identidade secreta.

 5. Lady Luck

Descrição: Criada apenas três meses depois da Mulher de Vermelho pelo quadrinista e escritor Will Eisner para participar das publicações no jornal do famoso detetive Spirit, Lady Luck é na verdade a rica socialite Brenda Banks que decide combater o crime apenas com suas habilidades de Jiu-Jitsu. 

Perseguida pela policia e protegendo sua identidade civil sob um fino véu, Lady Luck por vezes contava com a ajuda de seu motorista Peecolo.

Nos dias de hoje a personagem teve uma participação inesperada na edição #6 da revista The Phantom Stranger (2013), mas não foi mais vista deste então.

Primeira aparição: The Spirit Section (02 de Junho, 1940).

Criadores: Will Eisner e Chuck Mazoujian

Editora: Register and Tribune Syndicate

Destaque: A primeira socialite rica a combater o crime, abrindo a tendência de personagens semelhantes nos anos seguintes como Miss Fury (1941), Spider Widow (1942) e Miss Masque (1946). 

6. Invisible Scarlet O’Neil

Descrição: 20 anos antes da Mulher-Invisível adquirir seu poder e formar o Quarteto Fantástico, uma jovem repórter encostou o dedo em um raio desenvolvido por seu pai cientista e ganhou o poder da invisibilidade: Scarlet O’Nell. 

Sendo capaz de ativar e desativar sua invisibilidade pressionando um nervo em seu pulso, Invisible Scarlet O’Nell usava seu poder não apenas para conseguir matérias jornalisticas, mas também para resolver pequenos crimes e ajudar as crianças.

Nos anos da década de 1950 a personagem ganhou um interesse amoroso – o xerife Stainless Steel – e as histórias passaram a ser mais sobre o relacionamento dela e menos sobre os seus atos heroicos.

Por fim, com a queda da popularidade, a tira de jornal em que suas histórias eram publicadas foi renomeada para Stainless Steel e a personagem se tornou secundária.  

Primeira aparição: The Chicago Times (03 de junho, 1940)

Criadores: Russell Stamm

Editora: The Chicago Times

Destaque: Ainda que não tenha identidade secreta e uniforme, Invisible Scarlet O’Neil é a primeira super-heroína urbana com super-poderes.

7. Black Widow

Descrição: Após ser vitima de assassinato, Claire Voyant retorna do inferno como uma agente do Diabo para matar criminosos e outros praticantes do mal, pois há almas, segundo o discurso da Viúva Negra, que o Diabo está ansioso por possuir.

Imune a ácido e balas, a Viúva Negra envolve suas vitimas em sua capa e o infeliz cai morto aos seus pés.

Primeira aparição: Mystic Comics #4 (Agosto, 1940)

Criadores: George Kapitan e Harry Sahle

Editora: Timely Comics

Destaque: A primeira super-heroína (ou anti-heroína) urbana a ter uniforme, identidade secreta e superpoderes. 

8. Miss Fury

Descrição: Convidada para uma festa e informada que outra mulher usaria um vestido semelhante ao seu, a socialite Marla Drake decide vestir a pele de pantera negra deixada pelo tio e que tinha pertencido originalmente a uma feiticeira africana. No caminho para a festa, todavia, ela impede um crime e assume a identidade de Miss Fury.

As histórias de Miss Fury, traduzidas no Brasil como Mulher-Pantera, nunca afirmaram categoricamente se a habilidade e força demonstrada pela heroína vinha da pele do animal ou da própria Marla, o que acrescentava um elemento extra de curiosidade a personagem.

Ao contrário da maioria das outras combatentes do crime de vida curta, a Mulher-Pantera foi publicada nas tiras dos jornais americanos até o ano de 1952, algo incomum para personagens do período. 

Primeira aparição: Inicialmente com o nome Black Fury (06 de Abril, 1941) e como Miss Fury a partir de 14 de dezembro de 1941

Criadores: Tarpe Mills

Editora: Jornais ligados ao Bell Syndicate

Destaque: A primeira super-heroína criada, roteirizada e desenhada por uma mulher.

9. Phantom Lady

Descrição: Maior representante da chamada “Good Girl art”, um estilo de desenho focado em representar mulheres voluptuosas e sensuais, Lady Fantasma possui uma arma de luz negra com a qual ela cega momentaneamente seus inimigos.    

Apresentada como Sandra Knight, filha de um senador norte-americano, Lady Fantasma teve seu uniforme alterado em meados dos anos 40 para ficar mais sensual. 

A personagem justificou a mudança dizendo que o novo uniforme distraia seus oponentes, mas pelo visto na imagem abaixo ele também funcionava com os heróis. 

Primeira aparição: Police Comics #1 (Agosto, 1941).

Criadores: Will Eisner e Jerry Iger

Editora: Quality Comics

Destaque: A personagem foi usada como exemplo de má influencia sobre os jovens na década de 50 devido ao seu uniforme revelador, mas é a única daqui da lista que se manteve regularmente ativa até os dias de hoje, fazendo parte do universo da DC Comics. 

10. Nelvana das Luzes do Norte

Descrição: Mulher-Maravilha não é a primeira única super-heroína ligada aos deuses. Nelvana das Luzes do Norte é uma poderosa deusa da mitologia Inuit defensora dos povos do norte do Canadá.

Ela pode voar na velocidade da luz usando as luzes do norte, ficar invisível, mudar de forma e derreter metais.  

Eventualmente ela se disfarçava na identidade secreta da agente Alana North.

Primeira aparição: Triumph Adventure Comics #1 (Agosto, 1941).

Criadores: Adrian Dingle

Editora: Hillborough Studios 

Destaque: A primeira super-heroína canadense e a primeira super-heroína pertencente a um grupo minoritário (os povos indígenas do Canadá). 

 

Gostou das super combatentes do crime pré-Mulher-Maravilha?

Na sua opinião, quais delas ainda poderiam estar sendo publicadas hoje?

Deixe seu super comentário, compartilhe com seus amigos e inimigos mortais e assine o blog.

Fontes utilizadas

CUNHA, Jaqueline dos Santos. A representação feminina em Mulher Pantera e Mulher Maravilha. 2016. 151 f. Dissertação (Mestrado em Estudos da Linguagem) – Universidade Federal de Goiás, Catalão, 2016. Disponível em https://repositorio.bc.ufg.br/tede/handle/tede/5890 

DON MARKSTEIN’S Toonpedia. Disponível em http://www.toonopedia.com/. Acesso em 08 fev. 2017.

MADRID, Mike. Divas, Dames and Daredevils: Lost Heroines of Golden Age Comics. New York: Exterminating Angel Press, 2013.

______. The Supergirls: fashion, feminism, fantasy and the history of comic book heroines. New York: Exterminating Angel, 2010.

ROBBINS, Trina. The Great Women Super Heroes. Massachusetts: Kitchen Sink Press, 1996.

Escrito por Alexander Meireles da Silva

Contato: fantasticursos@gmail.com

 

O que você faria se fosse invisível?

Desde o primeiro minuto de 2017 toda a obra do escritor inglês e pai da Ficção Científica Herbert George Wells está em domínio público.

Este fato certamente fará com que a vasta obra de H. G. Wells se popularize ainda mais em novas edições, interpretações e releituras de seus romances e contos.  

Dentre essas obras, 2017 marca o 120° aniversário de O Homem Invisível (1897), introduzindo a temática da invisibilidade no mundo da Ficção Científica (FC).

Seja como resultado da aquisição ou ingestão de algo,  ou uma condição adquirida de forma voluntária ou não, a invisibilidade possui uma longa tradição no Fantástico.

Veja abaixo como o ato de se tornar invisível tem sido usado para o bem e para o mal ao longo da história da humanidade desde a Grécia Antiga. 

Na Mitologia

Giges e o anel

Em A República (380 a. C.) o filosofo grego Platão narra a lenda do pastor Giges e de seu anel de invisibilidade.

Platão e a alegoria de Giges: “Quer conhecer o homem, dê-lhe o poder”.

Um dia, ao tentar resgatar seu rebanho que havia caído dentro de uma grande fenda após um terremoto, Giges encontra o cadáver de gigante portando um anel em seu dedo. 

Precioso!!!!!! Giges é corrompido pela invisibilidade do anel.

Percebendo que ao girar o anel em seu dedo ele podia ficar invisível, Giges vai ao palácio real, seduz a Rainha, mata o Rei, usurpa o trono e dá início a uma longa dinastia.  

Através da narrativa de Giges, Platão propõe o debate:

O homem é bom e ético por natureza ou apenas porque teme as consequências de ser descoberto e julgado publicamente pelos seus atos? O que você faria se soubesse que não seria julgado por nenhum de seus atos? 

Perseu e o capacete de Hades

Além do anel de Giges, a invisibilidade por meio de um artefato também pode ser encontrada no Teogonia (700 a. C.), de Hesíodo. 

Teogonia O poeta foi contemporâneo de Homero.

Dentre as diversas narrativas sobre deuses e heróis gregos, destaque aqui para o capacete dado a Perseu pelo deus Hades.

De posse do capacete, Perseu consegue decapitar Medusa. 

Perseu evita o olhar da Medusa e não vira pedra.

Após matar a górgona, Perseu é perseguido pelas irmãs de Medusa, mas com a ajuda do capacete o herói consegue escapar.

Alberich e o Tarnhelm

No Das Rheingold (1869), de Richard Wagner, primeiro de quatro dramas musicais baseados em personagens da mitologia nórdica, também temos um capacete capaz não apenas de conceder invisibilidade, mas também de alterar a forma física de quem o usa.

Mime se desespera com o desaparecimento do irmão Alberich quando este coloca o capacete

Construído pelo anão ferreiro Mime para atender a ganância e ambição de seu irmão Alberich, o Tarnhelm era usado por Alberich para manter o controle sobre os anões Nibelungos.  

O capacete da invisibilidade aparece na adaptação cinematográfica do Anel dos Nibelungos no filme A maldição do anel

Baseado na obra que foi umas das fontes para O SENHOR DOS ANÉIS.

Na Fantasia

Sheila, do inesquecível CAVERNA DO DRAGÃO

Como você já deve ter percebido, a mitologia forneceu muitas ideias sobre a invisibilidade na forma de anéis, capacetes e capas para as histórias de Fantasia de hoje. Apenas para citar duas, temos:  

Bilbo e o Um Anel

Bilbo Baggins encontra o anel de Giges… ops. anel do Gollum.

No romance O Hobbit (1937), de J. R. R. Tolkien, o hobbit Bilbo é contratado por um grupo de anões e o mago Gandalf como um ladrão capaz de roubar uma joia no covil do dragão Smaug.

Bilbo usa o anel mágico, encontrado na caverna da criatura Gollum para, semelhante a Perseu em relação a Medusa, se tornar invisível e passar despercebido do perigo, mas neste acaso aqui Smaug sente o cheiro e respiração do hobbit.

Já na obra O Senhor dos Anéis (1954), descobrimos que, da mesma forma que Giges (e da criatura Gollum), Bilbo Baggins se deixou corromper pelo poder do anel.

Harry Potter e a Relíquia da Morte

A capa aparece no livro HARRY POTTER E A PEDRA FILOSOFAL (1997).

Brilhosa e prateada e de tessitura semelhante a fios de água, a capa de invisibilidade de Harry Potter pertenceu a própria Morte e foi entregue a Ignoto Peverell, antepassado de Harry Potter.

Esta história pode ser lida tanto no livro Harry Potter e as Relíquias da Morte (2007) quanto no contos “Os três irmãos”, presente na obra Os contos de Beedle, o Bardo (2007)

Surge (ou desaparece?) o Homem Invisível

Inicialmente publicado ao longo de 1897 como um folhetim na revista PEARSON’S WEEKLY, a história saiu na forma de romance no mesmo ano.

Nada de anéis, capas ou qualquer outra coisa ligada a magia: assim como em outros romances e contos de H. G. Wells a fonte das maravilhas é a Ciência.  

A obra mostra como um estudante universitário de nome Griffin abandona a Medicina para se dedicar a Física e mais especificamente aos estudos na área da Ótica.

Eventualmente, ele descobre uma formula capaz de tornar tecidos invisíveis e decide aplicar em seu corpo, pensando em todas as coisas que poderia fazer sem ser visto, mas não consegue reverter a invisibilidade.

Anti-social, recluso e arrogante, ele acaba despertando a curiosidade e depois as suspeitas dos moradores do pequeno vilarejo de Iping, onde se refugia para tentar encontrar um antidoto para sua condição.

Querendo criar um “Reino de Terror”, o Homem invisível é denunciado as autoridades pela sua assistente e por seu professor e, na sua sede de vingança, é morto pelos moradores de Iping.

Ainda que repita a formula literária do homem da ciência que subverte os limites éticos em sua busca de conhecimento e paga o preço por seus atos, presente no Fantástico desde Frankenstein (1818), de Mary Shelley e O médico e o monstro (1886), de Robert Louis Stevenson, O Homem Invisível se destaca pela releitura da alegoria do anel de Giges e pela introdução do tema da invisibilidade na Ficção Científica.

No Cinema

O personagem é considerado um dos oito monstros clássicos da Universal Studios, a partir de seu filme em 1933, com uma continuação em 1940 de título The Invisible Man Returns.

Nos Quadrinhos

O personagem aparece na série A Liga Extraordinária (1999), escrita por Alan Moore e desenhada por Kevin O’Neill, ao lado de outros personagens da Literatura Inglesa do século dezenove.

Assim como seu equivalente literário, o Homem Invisível dos quadrinhos é amoral, egocêntrico e ambicioso.

Outros invisíveis

Uma vez introduzido no universo da FC, outros homens invisíveis marcaram presença no Cinema e na Televisão, sempre tendo a Ciência como promotor da invisibilidade. Dentre estas aparições (ou desaparecimentos), destaque para: 

O Homem Invisível (1975)

Gemini Man (1976)

Memórias de um Homem Invisível (1992)

O Homem Invisível (2000)

O Homem sem Sombra (2000)

Invisíveis pelo preconceito

A temática da invisibilidade também permite analisar como determinados grupos são marginalizados na sociedade.

O Negro

No romance Homem invisível (1952), de Ralph Ellison, clássico da Literatura Americana, temos a narração, por parte de um negro, da descoberta de sua invisibilidade social na sociedade americana das primeiras décadas do século vinte.

Sou um homem invisível. Não, não sou um espectro como aqueles que assombravam Edgar Allan Poe; nem sou um ectoplasma do cinema de Hollywood. Sou um homem com substância, de carne e osso, fibras e líquidos, e talvez até se possa dizer que possuo uma mente. Sou invisível — compreende? — simplesmente porque as pessoas se recusam a me ver. Como as cabeças sem corpo que algumas vezes são vistas em atrações de circo, é como se eu estivesse cercado daqueles espelhos de vidro duro que deformam a imagem. Quando se aproximam de mim, só enxergam o que me circunda, a si próprios ou o que imaginam ver — na verdade, tudo, menos eu.

Este narrador sem nome (o que reforça ainda mais sua invisibilidade) descreve sua trajetória desde a alienação no Sul dos Estados Unidos como um negro passivo até o seu despertar crítico na cidade de Nova York tempos depois.

Ralph Ellison

Abordando a questão das desigualdades sociais no contexto da sociedade capitalista, Homem invisível é leitura obrigatória para se entender a problemática da identidade e da individualidade no mundo de hoje.

A Mulher

As Histórias em Quadrinhos norte-americanas de super-heróis é o lugar ideal para se observar o espaço marginalizado da mulher no século vinte.

Não é a toa que dentre as primeiras super-heroínas criadas temos uma mulher cujo superpoder é: sumir. O que ia ao encontro do espaço de invisibilidade da mulher em meio a sociedade machista da época.

Suma da minha frente mulher!

Invisible Scarlet O’Neil foi a primeira vigilante urbana com superpoderes na história dos quadrinhos e foi publicada entre os anos de 1940 e 1956 no Chicago Times

Outra super-heroína de destaque cujo poder é a invisibilidade é a Mulher-Invisível, integrante do Quarteto Fantástico da editora Marvel.

Irmã, Namorada, Noiva, Esposa e Mãe, antes de ser Super-Heroína.

Ainda que tenha sido a primeira super-heroína da fase moderna da Marvel, iniciada em 1961, Susan “Sue” Storm foi por muito tempo relegada a mera coadjuvante dentro de seu próprio grupo, sendo frequentemente salva por seus companheiros e considerada uma inútil em algumas histórias do Quarteto Fantástico.   

Edição em que os leitores escrevem reclamando da inutilidade da personagem.

Ai fica a questão: Será que a personagem teria sofrido esta discriminação por tanto tempo se outros aspectos de seus poderes, como a projeção de poderosos campos de força, fosse melhor explorada pelos roteiristas?

Com o passar das décadas, na mesma medida em que a mulher conquistava seus direitos na sociedade, a personagem foi sendo explorada de forma mais relevante nas histórias e hoje é uma das mais poderosas da Marvel.

Tomando posição na série GUERRA CIVIL.

Seja resultado de magia ou ciência, seja usada para o bem ou como meio de expressão dos desejos mais íntimos, a invisibilidade acompanha a história da humanidade sendo usada para o debate da natureza humana ou o apagamento social a que grupos específicos são submetidos.

E você? O que faria se fosse invisível?

Gostou?

Então deixe o seu comentário e compartilhe com seus amigo visíveis ou invisíveis. 

Fontes consultadas

BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia Grega. Vol. 1. São Paulo: Editora Vozes, 1986.

ROBBINS, Trina. The great women superheroes. Northampton/Massachusetts: Kitchen Sink Press, 1996.

SHERMAN, Josepha (Ed.). Storytelling: An Encyclopedia of mythology and Folklore. Vol. 1,2,3. New York: Sharpe Reference, 2011. 

Escrito por Alexander Meireles da Silva

Contato: fantasticursos@gmail.com

      

 

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A perversão sexual da Mulher-Maravilha por trás dos quadrinhos

Você, prezada leitora, gosta de se submeter a pessoa amada a ponto de, se a ocasião surgir, ser amarrada por ela? Você concorda com a frase “tapinha não doí”?

Pois saiba que foi a crença na existência deste comportamento feminino que ajudou o psicologo norte-americano William Moulton Marston a criar, em 1941, aquela se tornaria um ícone do Feminismo e centro de polêmicas sobre uma pretensa perversão sexual feminina: Mulher-Maravilha

William Moulton Marston e sua maior criação
William Moulton Marston e sua maior criação

A princesa guerreira

Dezembro de 2016 marca os 75 anos do surgimento da Mulher-Maravilha no universo das Histórias em Quadrinhos, ocorrido por meio da editora All-American Publications na revista All Star Comics #8 de dezembro de 1941, ainda sem destaque na capa para a personagem e assinada por Charles Moulton (pseudônimo adotado por William Moulton Marston).

Primeira aparição da Mulher-Maravilha
Primeira aparição da Mulher-Maravilha

O sucesso da princesa amazona da utópica Ilha Paraíso que vem ao mundo dos homens para lutar pela paz e justiça foi tanto que já no ano seguinte ela ganhou publicação própria na revista Wonder Woman #1, de julho de 1942.   

Primeira publicação própria da guerreira da Ilha Paraíso.
Primeira publicação própria da guerreira da Ilha Paraíso.

Ainda que não tenha sido a primeira super combatente do crime das histórias em quadrinhos [ATUALIZADO: Veja o post sobre as super-heroínas anteriores a Mulher-Maravilha, clicando aqui], desde a sua criação a Mulher-Maravilha se tornou a principal representante feminina do gênero super-heróis, posição esta que mantém até hoje e a coloca ao lado dos outros dois pesos pesados da DC Comics – Superman e Batman.

A trindade da DC Comics
A trindade da DC Comics

Este status da personagem decorre, em muito, das idéias por trás de sua criação que a diferenciava, já em 1941, das outras super-heroínas da época.

Mulher-Maravilha: filha de um pai e duas mães controversas

Considerado um feminista mesmo quando a própria palavra ainda não havia se disseminado, William Moulton Marston foi contratado pelas editoras National Periodicals e All American Publication (que depois da fusão se tornariam a DC Comics) para ser o consultor educacional das editoras em virtude da crescente preocupação dos pais de crianças quanto ao conteúdo das revistas nos anos das décadas de 1930 e 1940.

Marston e os editores da All-American Publications e National Periodicals
Marston (na esquerda sentado) e os editores da All-American Publications e National Periodicals

Como resposta a esta situação e descontente com a ostensiva presença de super-heróis homens, como Superman, Batman e Lanterna Verde, Marston comentou com a esposa – Elizabeth Holloway Marston – sobre a criação de um super-herói que combatesse o crime não com o uso da violência, mas sim com o amor, ao que ela respondeu: “Ótimo, mas a faça mulher”.  

Elizabeth Holloway Marston. Essa sim a verdadeira Mulher-Maravilha
Elizabeth Holloway Marston. Essa sim a verdadeira Mulher-Maravilha

Definido o sexo da personagem, faltava moldá-la e para isso Marston usou duas referências: suas duas esposas

A origem e personalidade da Mulher-Maravilha tem inspiração tanto na admiração que Elizabeth Holloway nutria pela cultura grega, de onde saiu a ideia das lendárias Amazonas, quanto na postura da própria Elizabeth enquanto mulher a frente do seu tempo, detentora de três diplomas universitários em uma época na qual a maioria das mulheres era até mesmo proibida de estudar.

Já a aparência física da personagem foi baseada na outra esposa de Marston: sua ex-aluna e assistente Olive Byrne. Byrne também influenciou Marston na criação dos braceletes com os quais a super-heroína se defende de seus agressores.

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A ideia teria surgido pelo recorrente uso deste apetrecho por parte de Olive Byrne. 

William Moulton Marston vivia com Elizabeth e Olive no mesmo lar e teve duas crianças com cada uma. Elizabeth era responsável, junto com o marido e após sua morte em 1947, pelo sustento do lar enquanto Olive cuidava da casa e da educação das crianças.

William Moulton Marston (no centro). Olive Byrne (lado direito em pé) e Elizabeth Holloway Marston (sentada na direita)
William Moulton Marston (no centro). Olive Byrne (lado direito em pé) e Elizabeth Holloway Marston (sentada na direita)

Uma heroína pervertida sexualmente (uma mulher, afinal de contas)

Se Elizabeth e Olive contribuíram com a origem, personalidade e aparência física da Mulher-Maravilha o comportamento da super-heroína, em seus primeiros anos, refletiu as ideias de William Moulton Marston sobre o desenvolvimento do potencial feminino.

Ideias que deram margem a uma leitura da personagem (e das mulheres) como seres de um comportamento, para muitos ainda hoje, condizentes com perversão sexual.

Girl Power
Girl Power

Para ele, os problemas da humanidade só seriam resolvidos se os homens entregassem o poder as mulheres. Sua personagem, oriunda de uma sociedade governada por mulheres era, portanto, a resposta para contrabalançar o que ele via como um mundo androcêntrico.

Em entrevista sobre a Mulher-Maravilha para a revista American Scholar no ano de 1943, por exemplo, Marston defendia que:

Nem mesmo garotas vão querer ser garotas enquanto faltar força, potência, e poder ao nosso arquétipo feminino. Não querendo ser garotas, elas não querem ser meigas, submissas, pacíficas como boas mulheres são.

Isto quer dizer que, para o criador da Mulher-Maravilha, as mulheres só poderão desenvolver força, potência e poder e, consequentemente, resolverem os problemas do mundo por meio da igualdade e do amor se aprenderem a ser meigas, submissas e pacíficas 

Veja abaixo, conforme as histórias da Mulher-Maravilha ensinavam nos anos de 1940, que o processo para se tornar meiga, submissa e pacífica era a prática de técnicas semelhantes ao BDSM, ou seja,  Bondage e Disciplina, Dominação e Submissão, Sadismo e Masoquismo.

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Ainda que William Moulton Martston nunca tenha manifestado abertamente suas teorias nas histórias escritas por ele, o recorrente conteúdo erótico das histórias da Mulher-Maravilha (e que ajudaram a revista a se tornar um sucesso junto ao público jovem formado por meninos) não passaram despercebidos dentro da editora que as publicava.

Ao ser questionado pela sua colega Josette Frank, do Conselho Editorial Consultivo da DC, sobre a possibilidade de ataques de educadores e censores devido aos trajes da heroína e aos trechos de inspiração sado-masoquista das histórias, Marston explicou que:

As mulheres são excitantes justamente por essa razão – esse é o segredo da sedução feminina – a mulher gosta de se submeter, de ser amarrada. Trago isso à tona nas sequencias da Ilha Paraíso, em que as garotas imploram por correntes e gostam de usá-las. /…/ A única esperança de paz é ensinar àqueles que estão cheios de energia e de força a gostar de amarras. /…/ Em se tratando de relacionamentos humanos, só teremos uma sociedade mais pacífica e agradável quando o controle do eu, exercido de fora, for mais agradável que a afirmação irrestrita do eu sem amarras.

Chama a atenção neste ponto a contradição de que, ainda que tenha sido um ardente defensor da emancipação feminina, o pai da Mulher-Maravilha, enquanto psicologo, refletiu em suas crenças teorias científicas em voga no século dezenove que serviram para criminalizar o corpo da mulher.  

Ou Mãe ou Esposa ou Masoquista

Dentre várias obras na literatura médica do século dezenove duas merecem destaque por buscarem respaldar cientificamente o preconceito contra as mulheres. São elas:

The Functions and Disorders of the Reproductive Organs
(1857), de William Acton

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Psychopathia Sexualis (1886), de Richard von Krafft-Ebing.

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The Functions and Disorders of the Reproductive Organs de William Acton corroborou a ideologia predominante ao assegurar que as únicas paixões normais sentidas pelas mulheres eram pelo lar, filhos e deveres domésticos.

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Os papeis sociais das mulher no século 19 eram o matrimônio e a maternidade.

Para o médico inglês, a mulher submetia-se ao marido só para satisfazê-lo e, se não fosse pelo prazer da maternidade, preferia não ter atenção sexual. Ele foi um dos estudiosos que, ao lado de outros, incutiram na mulher a noção de que o corpo é inimigo da alma. 

A noção de que a maternidade implica em sacrifício e submissão a figura masculina se junta no fim do século dezenove a crença de que a mulher é capaz de suportar melhor sofrimentos e transtornos, transformando-os em prazer. Estava pronto o cenário para a associação da mulher com o Masoquismo, como explorado por Richard von Krafft-Ebing no Psychopathia Sexualis.

Richard Krafft-Ebing
Richard Krafft-Ebing

Krafft-Ebing parte da ideia de que a natureza delegou a mulher uma posição passiva, representado pela maternidade. Por esta razão, de acordo com esta leitura, o desejo sexual feminino é mais débil e levaria a uma necessidade da mulher ser mais amada e menos dependente do gozo.

Assim, o casamento e o amor seriam mais importantes para a mulher do que o sexo e aquelas que procuram apenas uma satisfação sexual representam um fenômeno anormal que contradiz as exigências sociais.

Krafft-Ebing cunha o termo Masoquismo a partir do nome do escritor austríaco Leopold von Sacher-Masoch, que relatava, em sua obra A Vênus das Peles (1870), obsessões e gostos de amor bastante peculiares, entre os quais ser caçado, amarrado, castigado, humilhado e machucado.

masochism

A partir deste quadro, o psiquiatra alemão define que a natureza feminina tenderia tanto para a perversão quanto para o sacrifício, o sofrimento e a subordinação. 

Nesta leitura, Krafft-Ebing sustenta que o Masoquismo é a perversão feminina por excelência. 

Bondage heróico
Bondage heróico

Como se vê, ainda que em uma primeira leitura as opiniões de William Moulton Marston sobre a mulher pareçam se colocar como um avanço para o espaço social da mulher na sociedade norte-americana nas primeiras décadas do século vinte, um olhar mais detalhado em sua proposta de feminino deixa exposto a mesma ideologia que norteou os estudos sobre a sexualidade da mulher ao longo da segunda metade do século dezenove. 

De namoradinha  a ícone gay

Após a morte de Marston em 1947, as histórias da princesa amazona mudaram de tom e a proposta pedagógica por trás de sua criação foi diluída pelos roteiristas que se seguiram.  

Carregada pelo amado Steve Trevor
Carregada pelo amado Steve Trevor em Sensation Comics #94 (1949).

A partir dos anos de 1970, todavia, com a intensificação do Movimento Feminista, a personagem foi alçada a condição de símbolo da mulher moderna, dona de sua vontade e de seu corpo. 

Capa da revista feminista Ms. (1972) e a comemoração dos 40 anos da revista em 2012.
Capa da revista feminista Ms. (1972) e a comemoração dos 40 anos da revista em 2012.

Pode ser dito, por fim, que ainda que tenha sido concebida dentro do jogo ideológico da indústria cultural, os debates sobre a imagem da Mulher-Maravilha adquiriram camadas e interpretações que ultrapassaram a esfera artística atestando a necessidade de se discutir o papel da mulher na contemporaneidade.

A polêmica mais recente: Mulher-Maravilha é gay?
A polêmica mais recente: Mulher-Maravilha é gay?

Louca, anormal, heroína, sado-masoquista, pervertida, gay, ícone feminista. As possibilidades de escolha da Mulher-Maravilha como um tipo ideal da mulher moderna não se encerram após a descoberta do discurso que a criou.

Fontes consultadas

CUNHA, Jaqueline dos Santos. A representação feminina em Mulher Pantera e Mulher Maravilha. 2016. 151 f. Dissertação (Mestrado em Estudos da Linguagem) – Universidade Federal de Goiás, Catalão, 2016. Disponível em https://repositorio.bc.ufg.br/tede/handle/tede/5890

JONES, Gerard. Homens do amanhã: geeks, gângsteres e o nascimento dos gibis. Trad. Guilherme da Silva Braga e Beth Vieira. São Paulo: Conrad. Editora do Brasil, 2006.

LEPORE, Jill. The secret history of wonder woman. New York: Alfred A. Knopf, 2014.

MADRID, Mike. The supergirls: fashion, feminism, fantasy and the history of comic book heroines. New York: Exterminating Angel, 2010.

NUNES, Silvia Alexim. O corpo do diabo entre a cruz e a caldeirinha: um estudo sobre a mulher, o masoquismo e a feminilidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000. (Coleção Sujeito e História).

ROBBINS, Trina. The great women superheroes. Northampton/Massachusetts: Kitchen Sink Press, 1996.

Escrito por Alexander Meireles da Silva

Contato: fantasticursos@gmail.com

Como você pode sobreviver a Distopia de Donald Trump

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Tem jeito não: Donald Trump é o 45° Presidente dos Estados Unidos da América.

E agora? Como sobreviver a Era Donald Trump? O que ela pode representar para o Fantástico?

A eleição de Trump traz a mente outro momento em que o mundo deu uma guinada para a direita com as eleições da Primeira-Ministra Margaret Thatcher na Inglaterra em 1979 e do Presidente Ronald Reagan nos EUA em 1981.

Estes dois eventos representaram o início de uma ideologia conservadora que se estenderia por toda a década de oitenta do século passado, motivando a criação de obras e produções vinculadas ao Fantástico na Literatura, Cinema e Quadrinhos, principalmente na forma das distopias.

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Na Inglaterra de 1982 e 1983, por exemplo, Alan Moore publicou na revista britânica Warrior sua crítica ao governo da “Dama de Ferro” Margaret Thatcher na forma de V de Vingança, que seria depois finalizada em 1988 dentro do selo Vertigo da DC Comics

O lado negro do sonho

É interessante destacar aqui como outros termos para a palavra “Distopia”, tais como “Utopias negativa”, “Contra-utopia” e “Utopia devolucionária” reforçam a estreita relação entre as distopias e as utopias, e isso não é a toa. Afinal de contas, dependendo de qual lado você está, o sonho para uns é o pesadelo para outros.

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A sombra da distopia já estava presente, na verdade, desde o primeiro projeto utópico do Ocidente: A República (380 a. C), de Platão, visto que para o filosofo grego poetas e artistas em geral deveriam ser banidos por não considerarem a razão como seu guia de vida.

Ao longo dos séculos, a medida em que a Ciência avançou e, por tabela, o Racionalismo, as utopias deixaram transparecer cada vez mais suas contradições distópicas.  

Novas distopias, velhos pesadelos

 

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A distopia moderna nasce no início do século vinte na hoje extinta União Soviética por meio de um romance novamente escrito sob o temor da ameaça as liberdades individuais e conquistas sociais: Nós (1922), de Yevgeny Zamiatin.  

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Muito pouco lido atualmente, esta obra exerceu influencia direta sobre 1984 (1949), de George Orwell e Admirável Mundo Novo (1932), de Aldous Huxley, dois romances que ainda hoje são referências para outras produções do gênero.

Se você assistiu a Matrix (1999), por exemplo, saiba que a ideia de seres humanos fabricados em tubos de ensaio saiu do livro de Huxley, como mostra a imagem acima.

    

No Cinema, a Distopia tem sua origem no filme alemão Metropólis (1927), dirigida por Fritz Lang, estabelecendo muito da fotografia usada em outras produções cinematográficas sobre o tema, principalmente durante o mandato da presidência de Ronald Reagan de 1981 a 1989. 

É uma distopia se…

  • A história já começa dentro da realidade distópica (narrativa em media res);
  • A história é ambientada no futuro;
  • O(s) orgão(s) de controle se apoia(m) em um discurso que privilegia a razão em detrimento da emoção ou da imaginação;
  • Inicialmente o protagonista não tem consciência ou se aliena de sua condição de oprimido;
  • As instituições de poder controlam os meios de comunicação omitindo ou manipulando informações;
  • Há um incetivo a atividades coletivas por meio de esportes, rituais e celebrações enquanto que ações individuais, como a leitura, são marginalizadas;
  • O protagonista desperta de sua condição de alienado a partir do contato e interesse com alguém do sexo oposto;
  • Há a presença de um representante da ordem dominante que explica ao protagonista como o mundo se tornou uma distopia;

Distopias do século XX com ameaças do século XXI

Durante os anos Reagan as políticas adotadas encontraram reflexo em diversas publicações e produções distópicas da época. Cito abaixo apenas um exemplo de cada na Literatura, no Cinema e nas Histórias em Quadrinhos:

Literatura

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A História da Aia (1985), de Margaret Atwood

O romance da canadense Margaret Atwood situa-se em um futuro especulativo onde os assassinatos do Presidente e de congressistas americanos atribuídos a terroristas muçulmanos resultaram na dissolução dos Estados Unidos da América e na implantação de um Estado totalitário por militares cristãos fundamentalistas. Ou seja, é o perfil e muitos dos eleitores republicanos que votaram em Trump.

Nesta distopia as guerras quimicas, abortos e o uso indiscriminado de medicamentos levaram a maioria das mulheres a se tornarem inferteis ou gerarem crianças com malformações. Por conta disso, as que ainda são supostamente férteis e são solteiras, viúvas, divorciadas e provenientes de casamentos não legalizados foram aprisionadas pelo novo governo para exercerem a única função social de gerarem crianças saudáveis para a sociedade. 

Considerando a visão de Donald Trump sobre as mulheres… fica a dica.

Cinema

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O sobrevivente (1987), direção de Paul Michael Glaser 

Falar de distopia no Cinema norte-americano dos anos oitenta é falar de Blade Runner (1982), clássico cult do diretor Ridley Scott baseado no romance Androides sonham com ovelhas elétricas? (1968), do escritor Philip K. Dick. 

Mas, como Donald Trump será com certeza um presidente midiático, indico uma distopia com Arnold Schwarzenegger, e que não é O Exterminador do Futuro (1984).

O Sobrevivente é baseado no romance O concorrente (1982), de Stephen King e  mostra como no ano de 2017 (profecia?), os Estados Unidos estarão sob o comando de um governo totalitário que retirou a liberdade individual de toda a população. Livros são queimados e instituições de ensino são fechadas.

A única diversão do povo é a TV, e o programa mais popular é um reality show  em que sobreviver é a única recompensa. Neste cenário um homem é culpado de um crime que não cometeu e sua sentença é para a cadeia ou entrar para o jogo. 

Imagine uma mistura de Jogos Vorazes com Schwarzenegger e o resultado é O sobrevivente

Histórias em quadrinhos

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O Cavaleiro das Trevas (1986), de Frank Miller 

Esta graphic novel, que ao lado de Watchmen (1986), de Alan Moore redefiniu o gênero de histórias em quadrinhos de super-heróis, mostra um Batman amargo e envelhecido que anos depois de ter abandonado a carreira de vigilante mascarado decide retornar ao combate ao crime em meio a uma decadente Gotham City do futuro tomada pela violência e a alienação da mídia.

Indico esta obra pela ácida crítica de Frank Miller a sociedade americana e a alienação da Mídia, tendo como pano de fundo a política de governo dos anos Reagan. Ou seja, a mesma coisa a se esperar de Donald Trump.

E agora?

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Lendo e assistindo as sugestões aqui de livros, filmes e quadrinhos você não será pego de surpresa pelas possíveis ações do novo Presidente dos Estados Unidos pelos próximos quatro anos.

Considerando a influencia norte-americana sobre a cultura e a disseminação de um pensamento de direita pelo mundo, especulo que nos próximos anos veremos uma nova onda de obras distópicas mais tradicionais, com tom mais sério que distopias adolescentes como Divergente e Jogos Vorazes e com foco no poder da mídia (algo que já se pode ver na série Black Mirror), além do questionamento de conquistas sociais de grupos minoritários.    

É esperar pra ver, mas espero que não!

Que livros, filmes e quadrinhos as promessas de governo de Donald Trump te lembra?

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Escritor por: Alexander Meireles da Silva

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